NOTA de REPÚDIO a entrega da medalha de Mérito Indigenista ao Presidente do Brasil

 

O Conselho Indígena de Roraima CIR, junto as 256 comunidades dos povos Macuxi, Taurepang, Wai wai, Sapará, Wapichana, Ingaricó, Patamona, REPUDIAM a escolha e entrega, feita ontem (18), da Medalha do Mérito indigenista ao presidente do Brasil.  

O vice Coordenador do CIR, Enock Taurepang afirma:

“A entrega dessa medalha do mérito indigenista ao presidente do Brasil  e aos seus capachos é uma vergonha para o Estado brasileiro. Primeiro que a palavra mérito vem de alguém que fez alguma coisa grande em favor de algo, ou de um povo por uma causa. Ele nunca fez nada pelos povos indígenas. Ele simplesmente é um genocida. Honra, não tem nenhuma, e da palavra “indigenista” compreendemos que seja uma pessoa que tenta entender os povos indígenas, compreender como a gente vive, como a gente se organiza pra daí então tentar nos ajudar, a ter acessos a políticas e a programas do nosso estado brasileiro.

Independente se o governo for de esquerda ou de direita tem que valer é a nossa constituição. Então assim não me venham falar que Bolsonaro não faz isso ou aquilo só porque é de direita. Não.

Ele tem que seguir o que está escrito na Constituição. A Constituição é a que rege o nosso país. Ele Não fez nada, nem antes da pandemia, nem durante, nem pós-pandemia, nunca fez nada.

O que sabe fazer é atacar e tirar nossos direitos. Então repúdio do Conselho Indígena de Roraima é inaceitável ele receber esse tipo de homenagem.”

Afirmou a liderança.

 

Segue a nota.

Medalha de Mérito ao Omisso

Quando o escarnio as nossas instituições e a nossa politica do malocão é atacada percebemos que resistimos desde o nascimento, quando olhamos os céus e vimos a fumaça da Amazônia, a seca dos rios, e a sangria do garimpo, gritamos, cada vez mais abafados pela politica anti-indígena e porque não dizer politica de genocídio, nada foi levantado quando a pior das doenças assolou nossas famílias, nada foi dito quando nosso sangue correu de novo e de novo, no congresso, nas ruas e em nossas terras, a medalha ao Omisso declara o deboche diante de tudo que ele tem feito.

Esta é a politica pregada pelo presidente, cita-lo, no caso seu nome, é afrontar Makunaimã, que protege nosso espirito por vezes doente de mercúrio e abatido pela falta de compreensão quando o que mais almejamos a nós o povo indígena e a todos, é a convivência pacifica homem, floresta e tempo.

Tempo, talvez a imensidão do tempo nos tenha ensinado a não confiar no homem branco, mas a que custo, todo o “território desse vasto Brasil é sim Banhado por sangue indígena” e não nos diga o contrário, se engana aquele que ao por um cocar, pintar seu rosto, e bater palmas a este sujeito é celebrar, nossos antigos estão chorando, nossa Mãe Terra Sangra, e cada vez mais ela esta a um corre a um ponto em que as cicatrizes serão eternas, o rio doce será amargo, a sombra será uma breve lembrança, assim como a  alegria nos risos de nosso povo a beira do igarapé.

Em suas palavra este senhor afirma sermos “quase iguais” nem em nosso pensamento mais profundos ou profanos queremos isto, o que guardamos é a cultura, o que pregamos é a igualdade, o que queremos é Respeito aos quilombolas, as mulheres, crianças, as nossas lideranças a nosso território, nossos corpos, nosso espirito.

Medalha de honra ao Presidente omisso, esta é única honraria apropriada ao senhor e aos seus.

Conselho Indígena de Roraima, 19 de Março – 2022