Brigadistas comunitários indígenas do CIR iniciam período de queima prescrita nas regiões de Roraima

A ação é para prevenir as queimadas descontroladas nos territórios indígenas durante o verão intenso.

Sob o forte sol e com sensação térmica de 40 graus, os brigadistas indígenas iniciam a atividade de queima prescrita, uma ação coletiva dedicada à preservação dos lavrados, matas, igarapés e animais que habitam os territórios indígenas. Desta vez, a ação ocorre nos limites das comunidades indígenas Serra do Truarú e Morcego, na Terra Indígena Serra da Moça, região Murupu.

O trabalho é desenvolvido em parceria entre o Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), e o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PREVFOGO), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Diferente da queima controlada, utilizada em atividades produtivas ou no manejo rural, a queima prescrita tem como foco a conservação do ambiente e a prevenção de incêndios em vegetação nativa. A ação segue algumas regras e só pode ser realizada mediante autorização e planejamento prévio.

Na prática, a queima prescrita segue a janela de queima, que teve início em setembro e vai até novembro. O processo funciona da seguinte forma: os brigadistas solicitam autorização dos tuxauas e das lideranças das comunidades, que acompanham toda a ação. Em seguida, são iniciados os aceiros, que consistem na limpeza ao redor do espaço que será queimado para remover materiais que possam servir de combustível para a propagação das chamas, conforme explica o supervisor das brigadas indígenas do DGTAMC, Jonatas Firmino.

“A queima prescrita é uma queima planejada, onde conseguimos observar a proporção das ventanias (condições do vento) nesse período. A gente está fazendo a redução de combustível e a proteção dos limites das comunidades e roças. Fazemos essa prevenção para evitar incêndios de grandes proporções. É um trabalho em equipe que envolve os brigadistas do PREVFOGO e os brigadistas comunitários que fazem parte do DGTAMC”, destacou o supervisor.

Equipados com botas, gandolas, óculos, capacetes, pinga-fogo, bombas costais e sopradores, os brigadistas executam a atividade de proteção do território, um trabalho que exige força, coragem e cuidado. O brigadista Josiel, que integra a brigada da Serra da Moça, enfatiza a importância do trabalho desenvolvido.

“A nossa missão é proteger os territórios e as comunidades indígenas. Ao fazer a queima prescrita, eliminamos os combustíveis pesados para evitar incêndios de grandes proporções e, com isso, garantimos o bem de todos”, disse o brigadista.

WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.29 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.29 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.30.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.31 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.31 (3).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.33.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.42 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.32 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.29.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.44.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.33 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.42 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.42.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.30 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.31 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.32 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.31 (4).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.43 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.45 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.43 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.33 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.43.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.32.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.30 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.44 (1).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.31.jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.32 (3).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.44 (2).jpeg WhatsApp Image 2026-09-30 at 15.57.33 (3).jpeg
Brigadistas indígenas na área de queima prescrita, Região Murupú. Fotos: Maciel Makuxi - ASCOM CIR

A queima prescrita já ocorreu em áreas consideradas críticas, como os municípios de Normandia (Base Raposa), Bonfim, região Itacutú (Base Pium) e região Murupu (Base Serra da Moça). As próximas queimas serão realizadas no Uiramutã (Base Pedra Branca), Pacaraima, região Surumu, e Jacaminzinho, região Serra da Lua.

A janela de queima prescrita, iniciada em setembro, está prevista para encerrar ao final de novembro. Cerca de 40 brigadistas de diferentes comunidades indígenas e regiões participam da atividade. Desse total, nove são mulheres.

Cineide Wapichana faz parte da brigada indígena da Base Serra da Moça e destaca a participação e o empoderamento das mulheres na preservação do território, exercendo uma função que antes era realizada somente por homens.

“É um trabalho que exige força, mas hoje a gente vê que nós, mulheres, temos capacidade de exercer um papel que antes a gente via só os homens fazendo. A gente tem capacidade física e emocional para estar à frente dessas atividades de proteção do nosso território e na educação ambiental. Isso é muito importante”, afirmou Cineide.

São dias longe de casa e da família, mas com uma missão de conservar, proteger e preservar os territórios de onde são retiradas as plantas medicinais, as sementes para a produção de artesanatos e, principalmente, o sustento de muitas famílias. É uma ação não apenas para o presente, mas principalmente pensada no futuro, para que aqueles que ainda virão possam aproveitar tudo o que existe no território.

Além dos recursos humanos e dos conhecimentos tradicionais, a tecnologia tem sido uma aliada importante na queima prescrita. Uma delas é a Sala de Situação do CIR, por meio da qual é possível acompanhar, em tempo real, os focos de calor nas terras indígenas. A ferramenta tem contribuído para o combate e a prevenção das queimadas nos territórios indígenas.

A ação conta com apoio dos parceiros: Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento- AECID, Rainforest US, Agência Dinamarquesa para o Desenvolvimento Internacional- Danida, Sol de Janeiro, Embaixada Real da Noruega e Instituto Clima e Sociedade.

Compartilhar