9 ª Assembleia Regional da Juventude:   Jovens indígenas de Amajari debatem direitos, comunicação,  políticas públicas e protagonismo

A 9ª Assembleia Regional da Juventude Indígena de Amajari, abordou temas importantes, como direitos, comunicação, políticas públicas e protagonismo, para o fortalecimento e a valorização da juventude indígena. O evento iniciou no dia 4, no Centro Regional da Juventude Indígena de Amajari Cecília Ribeiro de Souza, na comunidade indígena Aningal, na terra indígena Aningal, e encerrou no dia 6.

O tema da assembleia, "Valorizando os Conhecimentos Tradicionais e Científicos na Perspectiva de Formar Futuras Lideranças," reflete a importância de preservar a cultura indígena enquanto prepara a nova geração para enfrentar os desafios do futuro.

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FOTOS: ASCOM/CIR

A coordenação Executiva do Conselho Indígena de Roraima (CIR), participou no domingo (5), da pauta “Fortalecendo a juventude na defesa dos direitos garantidos e ameaçados, território, saúde e educação”. Estiveram presentes, o coordenador geral, Edinho Batista, o vice-coordenador Enock Taurepang, e a secretária do Movimento de Mulheres Indígenas, Kelliane Wapichana.

Kelliane Wapichana destacou o fortalecimento da medicina tradicional nas comunidades, além de promover palestras sobre os direitos das mulheres, violência contra a mulher e autoestima. Ela ressaltou os avanços alcançados, graças à luta das lideranças tradicionais e encorajou os jovens a seguirem seus passos.

“Hoje estamos conquistando nossos espaços na saúde, educação e continuamos lutando por nossos territórios. Por isso jovens, vocês devem acompanhar os passos das suas lideranças, está próximo e fortalecendo quem precisa de vocês".

Enock Taurepang, vice-coordenador do CIR, incentivou os jovens a manterem o legado de suas lideranças, enfatizando que a perseverança diante das dificuldades os tornará mais fortes.

"Vocês têm que continuar esse legado, mesmo diante das dificuldades, não desistam, as dificuldades nos fazem mais fortes ".

Ele também anunciou intercâmbios de experiências e vivências planejados para 2024, onde os jovens passarão uma semana vivenciando o dia a dia nas comunidades de Anauá T.I Wai-Wai e Araçá região Amajari.

Edinho Batista, coordenador geral do CIR, discutiu o empoderamento dos jovens, enfatizando a importância de fortalecer as lutas. Ele expressou sua satisfação, ao ver a juventude assumindo papel de liderança na proteção dos direitos indígenas.

" Fortalecer nossas lutas é valorizar nossas conquistas, fico feliz quando vejo a juventude tomando atitudes de lideranças, para continuar cuidando do nosso povo",reforçou o coordenador.

Ainda conforme o coordenador, o processo de formação nas bases ninguém tira da juventude, e a oportunidade de crescer está nas mãos dos jovens, sem perder a essência de luta pelo movimento indígena.

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O líder Alcides constantino, uma das lideranças antigas, emocionado lembrou que no início da caminhada e da luta pelos povos indígenas, as dificuldades foram grandes ninguém tinha estudo, hoje tem uma estrutura boa.

" Hoje temos advogados para nos orientar, antes as lideranças que não estão mais aqui, não sabiam nem ler os documentos que assinavam, então peço que vocês continuem atuando firme e forte por nós", pediu a liderança a coordenação executiva do CIR.

A jovem Julia Wapichana, pontuou suas preocupações sobre a política partidária, o desmatamento e as queimadas que estão ocorrendo nas comunidades.

A assembleia também abordou os retrocessos aos direitos dos povos indígenas, após a derrubada do Marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF). O assunto foi explanado pela assessoria jurídica do CIR, os advogados Junior Nicacio, Ivo Makuxi e Fernanda Wapichana.

Ivo Makuxi, destacou a necessidade de entender profundamente os direitos indígenas e reconheceu que muitos desses direitos foram conquistados com o sacrifício de seus antepassados.

"O povo que não conhece seus direitos, não sabe o que está defendendo", com essas palavras Ivo Makuxi, começou seu discurso sobre o tema. “Nós temos que conhecer muito bem nossos direitos. Nos artigos 231 e 232 da constituição, está escrito nossos direitos, muitas vezes escritos com o sangue dos nossos parentes", explicou o advogado.

O advogado pediu aos jovens que continuem atentos às informações falsas sobre o Marco Temporal, principalmente as que dizem que os povos indígenas não querem mais terra e sim ferramentas como trator e internet .

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FOTOS: ASCOM CIR

O departamento de comunicação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), também teve participação na assembleia, destacando o papel da comunicação como instrumento de luta. Atualmente o departamento é composto por cinco jornalistas indígenas, uma conquista histórica que fortalece a instituição e os povos indígenas de Roraima.

A comunicação do CIR é referência, sendo a única instituição no Brasil, composta por jornalistas indígenas,tudo graças às lutas das lideranças tradicionais. Caique Souza, fotojornalista, Helena Leocádio, assessora de imprensa, e Mayra Wapichana, consultora em comunicação, representaram o departamento e incentivaram os jovens a se tornarem protagonistas de suas histórias.

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FOTOS: ASCOM/CIR

A assembleia, que teve início em 4 de novembro, debateu uma série de temas, incluindo o fortalecimento da juventude no movimento indígena, a representatividade indígena na política, mudanças climáticas e a preservação da identidade indígena.

Cerca de 80 jovens das comunidades, Santa Inês, Ouro, Novo Paraíso,Mangueira, Guariba, São Francisco, Leão de Ouro, Araçá, Vida Nova , e Aningal participaram da assembleia realizada anualmente. No domingo, os jovens também contaram com a presença de representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Distrito Leste de Roraima (Dsei-Leste), Conselho Distrital de Saúde Indígen (Condisi) e Instituto Federal de Roraima (IFRR).

Além dos debates, também teve oficinas de artesanato e grafismo indígena, exposição da medicina tradicional, construção de panelas de barro e para o ensino das línguas Macuxi, Wapichana e Taurepang, oficina de músicas indígenas.

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