Mulheres do povo Wai Wai promovem eventos históricos na terra indígena Trombetas Mapuera

Em toda história do movimento indígena de Roraima, especialmente na história do povo Wai-Wai, não havia acontecido eventos que pudesse agregar o empoderamento das mulheres, conhecimentos tradicionais e a força política e social do povo Wai-Wai, um povo da floresta que habita entre os estados de Roraima, Amazonas e Pará.

Foi o Iº Encontro Geral das Mulheres Indígenas Wai Wai de Roraima, nos dias 10 e 11, e de 12 e 13, a Iª Oficina de Artes das Miçangas – Trocas de saberes. Reunindo cerca de 80 mulheres das Terras Indígenas Trombetas Mapuera e Wai Wai, as atividades ocorreram na comunidade Jatapuzinho.

Durante o encontro um dos resultados que demonstra o avanço e conquistas foi o aumento de representatividade das mulheres Wai-Wai. Antes só havia uma coordenadora e hoje são duas, uma em cada terra indígena.

Imagem
Imagem
Imagem

Em toda história do movimento indígena de Roraima, especialmente na história do povo Wai-Wai, não havia acontecido eventos que pudesse agregar o empoderamento das mulheres. Fotos: Nailson wapichana/ Rede Wakywaa.

O cargo de liderança regional é uma posição de muito compromisso, respeito e de responsabilidades, não só no contexto de mulheres, mas de um povo. Durante o encontro um dos momentos marcantes foi a troca e ao mesmo tempo de assumir essa liderança. A função que passa de geração em geração é a coordenação regional de mulheres do povo Wai Wai.

A primeira coordenadora regional, foi Ture Wai Wai, que por conta de um tratamento de saúde, pediu afastamento da função, deixando, interinamente, o cargo para Silda Wai Wai, da comunidade Anauá – TI Wai Wai. Ainda na assembleia, foi eleita como vice-coordenadora, Melisse Wai Wai, da comunidade Jatapuzinho – TI Trombetas Mapuera.

Outro momento marcante nos eventos, foi a participação de outras mulheres lideranças de seis etnorregiões do estado, são elas: Serra da Lua, Tabaio, Surumú, Murupú, Alto Cauamé e Raposa. Além da Tuxaua Geral do Movimento de Mulheres do Conselho Indígena de Roraima, Kelliane Wapichana e a assistente Kalynne Mota.

As coordenadoras regionais vivenciaram o dia a dia das mulheres Wai Wai, além de levarem o fortalecimento a luta das lideranças daquela região. Durante os dois dias de assembleia, as coordenadoras regionais compartilharam experiências e trabalhos que são desenvolvidos dentro das comunidades e regiões.

Imagem
Imagem
Imagem

Durante os dois dias de assembleia, as coordenadoras regionais compartilharam experiências e trabalhos que são desenvolvidos dentro das comunidades e regiões. Fotos: Nailson wapichana/ Rede Wakywaa.

Para a oficina de artes, as participantes receberam apoio do departamento de mulheres do CIR, material como: linhas, miçangas, tesouras, agulhas. Na oficina, as lideranças também vivenciaram e aprenderam com as artistas Wai Wai como trabalhar com as miçangas. Para Alane Wapichana, coordenadora regional de mulheres do Murupú, ter essa experiência foi muito importante para aprender um pouco mais sobre como é a vivência de outro povo indígena, especificamente as atividades das mulheres.

“Viemos participar dessa primeira assembleia das mulheres Wai Wai e também dessa oficina de artes das miçangas, pois é muito importante a gente estar fortalecendo as mulheres aqui das Terras Indígenas Trombetas Mapuera e Wai Wai. E com isso a gente vai levando também várias experiências para nossas regiões e aqui deixamos o nosso fortalecimento para elas”, destacou Alane.

Imagem
Imagem
Imagem

“Realizamos essa nossa primeira assembleia das mulheres e também a nossa oficina e isso foi muito importante porque isso é uma experiência nova para nós". Fotos: Nailson wapochana/ Rede Wakywaa.

Para Geneide Wai Wai, coordenadora geral da Krawoto (Articulação das Mulheres Indígenas Wai Wai), a assembleia e a oficina foram conquistas muito importantes, principalmente como a participação das lideranças de outras regiões que levaram fortalecimento para as mulheres Wai Wai.“Realizamos essa nossa primeira assembleia das mulheres e também a nossa oficina e isso foi muito importante porque isso é uma experiência nova para nós. Tendo em vista que na história do povo Wai Wai, isso nunca tinha acontecido. Tivemos também a participação das lideranças de outras regiões e isso foi muito mais interessante, porque fortaleceu a nossa luta”, disse Geneide.

Imagem
Imagem
Imagem

Para a oficina de artes, as participantes receberam apoio do departamento de mulheres do CIR, material como: linhas, miçangas, tesouras, agulhas. Fotos: Nailson wapichana/ Rede Wakywaa.

A tuxaua geral do movimento de mulheres do CIR, Kelliane Wapichana, conta que foi uma experiência muito produtiva para as mulheres indígenas e foi uma conexão muito boa, além do intercâmbio e a trocas de saberes entre as lideranças.“Pela primeira vez as coordenadoras regionais, visitam o território Wai Wai. Elas participaram para fortalecer e fazer essa vivência com outro povo. Principalmente em estar conhecendo a realidade das mulheres Wai Wai. Saímos dos nossos territórios e levar essa experiência é muito importante, não só na troca de saberes, mas na luta. Porque todos os dias estamos enfrentando várias situações dentro do território e nós povos indígenas não queremos retroceder e sim queremos avançar”, comentou Kelliane.

O evento histórico no território Wai-Wai, contou com o apoio do Conselho Indígena de Roraima, Embaixada Real da Noruega, Ford Foundation, Instituto Iepé e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).A TI Wai-Wai, homologada em 2003, com mais de 400 mil hectares, abrange três municípios do estado de Roraima, Caroebe, Caracaraí e São João da Baliza, além dos estados Amazonas e Pará.De acordo com dados do Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima (Dsei/LRR) de 2023, tem uma população de mais de mil indígenas.

Imagem
Imagem
Imagem

A TI Wai-Wai, homologada em 2003, com mais de 400 mil hectares, abrange três municípios do estado de Roraima, Caroebe, Caracaraí e São João da Baliza. Nailson wapichana/ Rede Wakywaa.

A VIAGEM

Os eventos na comunidade Jatapuzinho só ocorreram de 10 a 13 de junho. Mas a viagem começou no dia 8, com o deslocamento das lideranças das regiões para a sede do CIR, em Boa Vista – RR. A saída ocorreu por volta de 4 horas da madrugada do dia 9. Iniciando aí uma verdadeira aventura.

A chegada na última cidade, Entre Rios, no município de Caroebe, foi por volta de 12h30, onde todos almoçaram. Mas ao longo do caminho foram feitas várias paradas, para o pessoal se alimentar e também aguardar algumas outras lideranças que também estavam a caminho do encontro. Foram horas e horas viajando de carro e pouco mais a frente iniciaria mais uma aventura pelo rio Jatapuzinho.

Chegando ao rio por volta de 14 horas, os barqueiros arrumaram as mercadorias e bagagens nos barcos e por volta de 15 horas iniciou a aventura de três horas e viajando à canoa até a comunidade Jatapuzinho. Durante o percurso, todos puderam apreciar as belezas da natureza. Além de boas conversas, risadas e cantorias. Chegando ao destino no começo da noite.

No dia seguinte, as pessoas que foram puderam notar a diferença da vivência do povo do lavrado com o povo da floresta. Entre eles, conversam na língua materna e isso acontece desde as crianças até os mais idosos. Puderam ver de perto o costume do povo Wai Wai, as bebidas, danças e cantos.

A alimentação oferecida, damurida de trairão, jacaré e paca. Tudo isso com muito beijú e farinha, principal alimentação da região. As lideranças acompanharam um pouco do cotidiano das mulheres Wai Wai, na quebração de castanha do Brasil e na produção do beijú da castanha, que na língua Wai Wai é fafá.

O imenso malocão onde são realizadas festas culturais e reuniões, recebeu o Iº Encontro Geral das Mulheres Indígenas Wai Wai. Assembleia que irá ficar para a história do movimento indígena de Roraima.

Share

Automatic translation. Some content may only be available in Portuguese.