Com o tema “Fiscalizar, Acompanhar, Debater e Apresentar Políticas para o Fortalecimento da Saúde Indígena”, a 107ª Reunião Ordinária Ampliada do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi/LRR), ocorre na comunidade Tabalascada, região Serra da Lua.
A reunião iniciou ontem (25) e segue até sexta-feira, 28. A principal pauta da reunião trata-se da consulta pública para substituir as conveniadas pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde(AGSUS), para a gestão de recursos humanos.
Cerca de cem pessoas, entre conselheiros, lideranças e convidados, estão participando da reunião. A meta é que com a mudança haja melhoria nos serviços e atendimentos na saúde indígena, conforme explicou o presidente do Condisi/LRR, Adelinaldo Rodrigues. “ Estamos realizando essa consulta para apresentar a AGSUS, uma proposta do governo federal, que vai gerir a contratação dos profissionais dos distritos leste. Esse é o primeiro passo, se aprovado aqui, os participantes vão levar as informações para base, para juntos pontuar as demandas deles”, esclareceu.
Discussões, palestras e mesa de diálogo - Fotos ASCOM/CIR
Lideranças tradicionais, Tuxauas, coordenadores e coordenadoras regionais , das doze etnoregiões e organizações indígenas, estão presentes na reunião. O tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Edinho Batista, membro conselheiro distrital, frisou que as decisões após a consulta pública e as decisões precisam ser analisada cuidadosamente, e com a participação de todos os conselheiros para que no futuro não venha afetar as regiões e comunidades indígenas.
“ Quando se decide algo dessa magnitude, principalmente na área da saúde indígena aqui em Roraima, é preciso ouvir todos e aqui não temos 5% das pessoas que eram para estar participando, não é apenas as lideranças que decidem. Nós temos aí uma discussão maior, que precisamos construir com várias opiniões diferentes, mas, que no final chegue a um consenso que isso pode nos fortalecer”, ressaltou Batista. Nas oportunidades foram expostas as dificuldades enfrentadas na saúde, além, dos participantes questionar a falta de consulta prévia nas etoneregiões, como a região Ingarikó. “Sentimos falta da consulta ao nosso povo, falta esclarecimento sobre o assunto e não podemos ter apenas quatro dias para analisar uma decisão importante”, ressaltou Raildo Ingarikó, coordenador regional dos agentes de saúde.
Grupos de trabalho, mesa de lideranças, Lideranças tradiocional da TI Raposa Serra do Sol
A psicóloga Iterniza André, do povo Macuxi, pontuou a saúde mental dos profissionais que atuam no território, “Peço como profissional e indígena que olhem pela nossa saúde mental, como vamos ofertar um bom serviço, se estamos adoecidos, quem cuida do cuidador, por isso peço para olharem a saúde mental dos profissionais que atuam na saúde indígena”, pediu Iterniza. Presente na reunião, a secretária Adjunta da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Lucinha Martins, do povo Tremembé, defendeu que a AGSUS vai melhorar a saúde indígena, ressaltando que a conveniada não está atendendo as necessidades dos usuários e dos profissionais da saúde indígena. “Esse local foi um espaço de conquista nossa dos povos indígenas e a intenção e melhorar o que temos, como a questão da contratação de profissionais e até logística e a AGSUS não vais substituir a Sesai ou o Dsei, a nossa prioridade é a assistência aos usuários das comunidades e territórios indígenas”, esclareceu Martins.
O coordenador do Distrito Leste de Roraima (Dsei/LRR), Zelandes Patamona, explicou que com a aprovação do AGSUS, os serviços da conveniada São Vicente de Paula, serão substituídos e fiscalizados pelo Disei leste/RR. “Estamos reunidos debatendo há dois dias, e a AGSUS se aprovada vai ser uma nova forma de fazer a gestão da força de trabalho junto aos distritos que vai monitorar e fiscalizar os trabalhos”, ressaltou Patamona. A programação segue até sexta-feira (28), com mesas de debates sobre as informação da coordenação do DSEI-LESTE/RR, as ações e planejamentos referentes às atividades de 2024 e mesas redondas, para discutir a gestão das coordenações indígenas dos hospitais, MPF, SESAU-RR, Programa Institucional de Implantação do Centro de Apoio Acadêmico aos Povos Indígenas, entre outros temas.
Tuxaua Edinho/ CIR discute junto a Lideranças tradicionais em grupo de trabalho