Por: Charles Taurepang
Na última sexta-feira (23), coordenadoras e representantes das etnoregiões base do Conselho Indígena de Roraima (CIR) discutiram o calendário das próximas atividades do Movimento de Mulheres Indígenas, incluindo o Encontro do Movimento de Mulheres Indígenas, o Encontro das Mulheres das Terras Indígenas Demarcadas em Ilhas e a Feira das Mulheres Indígenas. A definição das datas e a organização das atividades estiveram entre os pontos da reunião.
O encontro foi realizado pelo CIR, por meio do Departamento de Mulheres Indígenas, coordenado pela Tuxaua Geral do Movimento de Mulheres Indígenas do CIR, Kelliane Wapichana. A reunião contou com a participação da advogada Dra. Joenia Wapichana e de Jessica do Vale, da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Participaram também a assessora Kaline Mota e a assistente Leirejane Macuxi, ambas do departamento.
Durante a reunião, as coordenadoras compartilharam informações sobre os projetos desenvolvidos nas comunidades, os desafios enfrentados e os resultados alcançados. Entre 2024 e 2026, o Departamento de Mulheres Indígenas do CIR implementou mais de 40 projetos, apoiando iniciativas conduzidas pelas mulheres nos territórios.
“Esses encontros são importantes para a gente ver onde estamos acertando ou errando nos projetos, ouvir os desafios, mas principalmente os resultados positivos que estão sendo desenvolvidos nas comunidades”, explicou Kelliane Wapichana.
Representantes das regiões Itacutu, Amajari, Serras, Baixo Cotingo, Murupú, Alto Cauamé, Raposa, Serra da Lua, Tabaio e Wai Wai compartilharam experiências e iniciativas locais. Entre as ações apresentadas estão o cultivo de pimenta e banana, a produção de artesanato, a criação de animais, a participação em cursos de formação, brigadas indígenas e intercâmbios com outros povos.
A coordenadora de mulheres da região Wai Wai, Devanir Wai Wai destacou as mudanças na participação das mulheres nos espaços de decisão e nas atividades comunitárias, ressaltando a importância de terem voz e autonomia para conduzir suas próprias iniciativas.
“Hoje as lideranças me admiram porque eu não quero mais estar embaixo, eu quero falar. Nós temos direito de falar”, afirmou Devanir.
Outro tema discutido foi a construção do Protocolo de Segurança das Mulheres, Crianças e Jovens Indígenas, com a participação da Dra. Luciane Xavier, do povo Macuxi, assessora jurídica do CIR. A iniciativa busca construir, junto às comunidades, estratégias de proteção e acolhimento diante de situações de violência.
“A construção do Protocolo de Segurança é um passo importante para fortalecer a proteção das mulheres, crianças e jovens indígenas. Queremos construir, junto às comunidades, um instrumento que respeite nossa organização, valorize nossos conhecimentos e garanta caminhos seguros de acolhimento às vítimas de violência. Também é fundamental que o poder público assuma sua responsabilidade na garantia dos nossos direitos e na segurança das pessoas em situação de violência”, afirmou Luciane Xavier.
Como encaminhamento, as coordenadoras seguem alinhando as próximas atividades do Movimento de Mulheres Indígenas, com o objetivo de ampliar a participação das etnoregiões e fortalecer as iniciativas desenvolvidas pelas mulheres nas comunidades.
O reunião conta com o apoio de Tenure Facility.