Comunidade indígena em Roraima recebe visita de Embaixadora da União Europeia no Brasil

Em missão diplomática ao estado de Roraima, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, visitou neste sábado (22), a comunidade indígena Pium, na terra indígena Manoá-Pium, município de Bonfim, para conhecer o contexto cultural, social, a sustentabilidade e os desafios enfrentados na terra indígena Manoá-Pium, uma realidade comum em outros territórios no Estado.

Expressando a cultura e a tradição do povo Wapichana, a Embaixadora foi recepcionada com a dança do parixara e cantos na língua Wapichana pelas lideranças da comunidade, Tuxauas, mulheres, jovens e crianças, além da coordenação executiva do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e sua equipe jurídica. Os mediadores e conciliadores do Polo Maturuca da região Serras, da terra indígena Raposa Serra do Sol, o primeiro no Brasil, também deram boas-vindas à Embaixadora.

No tradicional malocão “José Farias”, as lideranças se reuniram com a Embaixadora, explicaram a realidade local e apresentaram sua diversidade cultural. A boa receptividade e a diplomacia indígena, são marcas conhecidas dos povos indígenas de Roraima. Dessa vez, não foi diferente.

As lideranças, especialmente as mulheres e jovens, presentearam a Embaixadora com variedades de artesanatos indígenas, como peneira, tipiti, flechas, panela, barro, brincos e colares, além de degustar no almoço a tradicional damurida, o beijú, a farinha e os produtos orgânicos, como batata e outras degustações regionais.

Imagem

Lideranças se reuniram com a Embaixadora, explicaram a realidade local e apresentaram sua diversidade cultural. Fotos: ASCOM/CIR

O coordenador local do Grupo de Proteção, Vigilância Territorial Indígena (GPVITI). Jacy de Souza, a presenteou com uma flecha utilizada pelo grupo nas ações de proteção e vigilância do território, uma realidade vivenciada em outros territórios indígenas no Estado. “Que a senhora leve essa flecha, utilizada em nossos trabalhos. É o nosso instrumento sagrado e de proteção ao nosso território”, disse.

Os jovens, conhecidos como “Filhos da Retomada”, apresentaram os gritos de resistência pela retomada do território, como “Terra, Vida, Justiça e Demarcação”, “A luta continua, unidos venceremos” e “Demarcação Já”. A Embaixadora disse que ficou “impressionada com a força e a organização da juventude”.

O tuxaua geral do CIR, Edinho Batista, ao prestar os cumprimentos da organização e dos povos indígenas de Roraima, ressaltou a importância da visita ao território para conhecer de perto a realidade e sentir o bem viver coletivo e da natureza, como a alimentação saudável, a água potável e o ar natural.

Imagem

Embaixadora e diálago com o Tuxaua Geral do CIR, Edinho Batista. Fotos: ASCOM/CIR

Em relação às homenagens prestadas à Embaixadora, o Tuxaua considerou como um gesto de aliança política. “Quando damos um presente desse, nós estamos formando uma aliança política”, considerou. “O nosso símbolo não é apenas um objeto, tem muito a ver com o nosso espírito, nossa cultura e tudo que é sagrado para nós. Não estamos dando um simples material, estamos dando parte do nosso corpo, do nosso espírito que estará com você nessa luta”, completou.

A comunidade indígena Pium é fronteira com a Guiana. Para o Tuxaua Edinho, a fronteira foi criada pelos não indígenas, mas para os povos indígenas a fronteira é o respeito existente com outros povos tanto da Guiana quanto da Venezuela.

Também enfatizou que no debate global de mudanças climáticas os povos indígenas são pioneiros em ensinar o que é vida de qualidade. “Essa luta em relação ao enfrentamento de mudanças climáticas, somos pioneiros. Há muito tempo a gente vem ensinando o que é vida de qualidade”, enfatizou, ao lembrar também que, “sem território, não há saúde, educação, sustentabilidade e não tem qualidade de vida”.

No território Manoá-Pium, onde existe um processo de retomada em curso, Edinho reforçou que são 32 terras indígenas demarcadas em Roraima e que, naquele território, é uma concentração de luta pela retomada. “São 32 terras indígenas em Roraima e uma delas é aqui, onde estamos concentrando a nossa luta para ainda, retomar aquilo que é nosso. Muitas das vezes somos considerados invasor porque estamos ocupando aquilo que é nosso. O réu somos nós e a vítima é o invasor”, reportou o tuxaua sobre a situação da retomada.

Imagem

A Embaxadora expressou o “privilégio de estar no território”, segundo ela, “um lugar diferente do seu cotidiano”. Fotos: ASCOM/CIR.

Após as considerações, Senhora Marian expressou o “privilégio de estar no território”, segundo ela, “um lugar diferente do seu cotidiano”. “É um privilégio estar aqui, porque minha vida cotidiana é muito diferente. Minha vida cotidiana se encontra no escritório em contato com as autoridades em Brasília, formulando diferentes políticas, convencendo deputados aqui {no Brasil} mas também nos parlamentos europeus”, expressou.

Debaixo do malocão, um lugar sagrado e de decisões comunitárias, a Embaixadora reforçou que não é somente admiração pelas formas de viver, mas que voltou convencida de que o futuro do planeta está na maneira sustentável e em sintonia com a natureza, como o que viu na comunidade Pium. Concluiu que, se não for assim, “esse planeta não vai sobreviver”.

“Não é só uma certa admiração pela suas formas de viver, também estou convencida que o futuro do planeta está numa maneira de viver sustentável em sintonia com a natureza, em sintonia com os animais, as plantas. Se não aprendermos isso, nos 27 países da europa, esse planeta não vai sobreviver. E podemos aprender muitas coisas de vocês, dos jovens aqui. Os jovens aqui sabem outras coisas, do que os jovens da europa, mas ambos são importantes. Queremos trocar essas experiências”, frisou.

Considerou que a maneira como o indígena vive, deveria ser um padrão para o futuro do planeta. “A maneira de viver aqui como indígena deveria ser um padrão para o futuro deste planeta”, considerou. “Eu vejo em vocês parte do futuro e não algo que temos que conservar no passado. Vocês são parte do futuro”, expressou Marian, depois de uma vivência histórica no território Wapichana.

Juntamente com a comunidade, a Embaixadora visitou roças de moradores com farta variedades de produtos, mandioca, macaxeira, batata, banana, pimenta e outras produções, em fase de germinação.

Na visita, entregaram um documento relatando a situação fundiária da terra indígena Manoá-Pium e de outras terras indígenas com pendência de demarcação no Estado, além do contexto sociocultural e ambiental dos povos indígenas de Roraima.

Compartir

Traducción automática. Algunos contenidos pueden estar disponibles solo en portugués.