COMUNICADORES INDÍGENAS DA REDE WAKYWAI PARTICIPAM DE OFICINA EM BOA VISTA

Durante três dias os comunicadores indígena da rede wakywai, estiveram reunidos agregando conhecimentos, na oficina para produção do Informativo Anna Yakaré, informativo  do  Departamento de Comunicação do  Conselho Indígena de Roraima (CIR), que leva às comunidades indígenas as principais  notícias do ano.

 Os 14 comunicadores indígenas de distintas regiões e municípios, Alto Cauamé (Alto Alegre), Raposa (Normandia), Baixo Cotingo (Normandia), Serra da Lua (Cantá e Bonfim), Tabaio (Alto Alegre), Wai- wai( São Luís do Anauá) e serras (Uiramutã), compartilham atividades realizadas nas comunidades indígenas e acompanham relatos das experiências de convidados que usam a comunicação, a arte e o ativismo, como ferramenta de fortalecimento  e protagonismo indígena.

Entre os convidados estavam as  jornalistas, Mayra Wapichana, ex-assessora de Joenia Wapichana e atual consultora em Comunicação, Georgina Sarmento, artista visual  e professora, Mari Wapichana, digital influencer e a  primeira miss  indígena de Roraima,  Raquel Wapichana, coordenadora do Núcleo da Juventude do Conselho Indígena de Roraima( CIR), e Okaba Aruak, ativista indígena.

Comunicadores da Rede Wakywai – (Fotos: Ascom/CIR)
Comunicadores da Rede Wakywai – (Fotos: Ascom/CIR)

Durante a roda de conversa compartilharam suas vivências ao longo da  caminhada na construção de suas histórias, momentos importantes e que marcam a trajetória da comunicação indígena em Roraima.

Mary Wapichana – (Foto: Ascom/CIR)
Mary Wapichana – (Foto: Ascom/CIR)

A digital influencer  indígena Mari Wapichana, lembrou dos desafios no início da carreira, principalmente as críticas nos comentários  em suas postagens. “Toda Miss, é padronizada, mas, eu cheguei quebrando esse  tabu, mostrando a realidade da minha comunidade. Andava descalço, descabelada, e  isso fez as pessoas gostarem do que eu  mostrava”, lembrou Mari.

Mesmo  diante dos ataques que hoje ainda existem,Mari, ressaltou o empoderamento indígena nas redes sociais  e a importância dos indígenas estarem ocupando cada vez mais nesses espaços.

“Eu cheguei  quebrando  os conceitos que os não indígenas têm sobre nós. Hoje graças a Deus  estamos ocupando nossos espaços, agora temos as redes sociais para  falar sobre nós ,nossas lutas, nossas dores, para nós contarmos nossas histórias e não os outros”, afirmou a digital influencer.

Por meio da arte indígena, Georgina Sarmento e Okaba Arawak, levam o ativismo indígena a outros estados e países, Georgina usa o instagram para divulgar o seu trabalho, ela é autora de diversas obras de arte. Conforme a artista, as redes sociais  têm dois lados , um é a pressão de alimentar a página com os conteúdos  e  o outro é que pode manter o contato de trabalho.

“Já fiz a arte para a Folha de São Paulo, pude aplicar os bordados numa revista que é reconhecida nacionalmente. Eu sempre tento, estar nesses espaço que não são alcançados por nós indígena, porque, assim eu sei  que vamos tentando desconstruir os estereótipos que constroem sobre nós,”ressaltou a artista.

Okaba Arawak, trabalha com a arte desde 1980, já produziu documentários, livros, documentários, obras de artes , atualmente está com exposição em Londres e Paris,  o dinheiro arrecadado  é revertido  para luta coletiva. Okaba lembrou da manifestação em forma de arte feita, em abril, no Acampamento Terra Livre, em Boa Vista, onde ele e outros artistas usaram  tinta vermelha que representava o sangue do povo Yanomami  e derramou  na calçada do monumento do garimpeiro.

“Somos nós os protagonista de tudo isso , somos nós que sabemos nossa realidade, há muito tempo nossa história era contada sem a  nossa participação, hoje não estamos presentes e fortes na luta e resistência,”disse o artista

Raquel Wapichana, coordenadora do Núcleo  da  Juventude  contou sua trajetória de luta junto às lideranças até ser referência aos jovens, sempre lembrando dos desafios enfrentados. Raquel vai representar a juventude indígena de Roraima na COP-28, junto com a comitiva do Cir, lembrou que é uma oportunidade e responsabilidade muito grande e importante, e incentivou aos comunicadores a não desistir dos seus sonhos.

“Hoje sou eu, amanhã pode ser vocês, meu sonho era ser comunicadora, demorou,mas, realizei, por isso, sejam firmes nos sonhos, sigam em frente”, pediu Raquel.   

Aula de diagramação – (Fotos: Ascom/CIR)
Aula de diagramação – (Fotos: Ascom/CIR)

Como última atividade nesta quarta-feira ( 1°), os comunicadores participam da  atividade prática de produção da segunda edição de 2023 do Informativo Anna Yakaré. O exemplar será distribuído na II Reunião Ampliada do Conselho Indígena de Roraima(CIR) e distribuído às regiões de base da organização.

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