O espaço vai fortalecer a autonomia e o trabalho coletivo desenvolvido pelas mulheres da comunidade.
A Casa das Mulheres Indígenas “Cleiza Duarte Brito” in memoriam é um espaço de fortalecimento do trabalho, da organização e das atividades desenvolvidas pelas mulheres. Inaugurada na segunda-feira (26), a casa está localizada na comunidade indígena Anzol, na Terra Indígena Anzol, região Murupú, e será utilizada para a produção de biojoias, a realização de oficinas, encontros e trocas de conhecimentos.
Durante a inauguração, Geiza Alves, vice-coordenadora local das mulheres, lembrou as dificuldades enfrentadas ao longo do processo de construção e reconheceu o esforço das mulheres que participaram e contribuíram para que o sonho saísse do papel.
“Foi difícil, a caminhada foi, mas hoje está aqui o resultado. E a gente vai continuar lutando e enfrentando desafios que não são fáceis”, disse Geiza Alves.
A inauguração contou com a presença de lideranças locais, mulheres, homens, jovens e crianças. Também estiveram presentes a tuxaua geral do Movimento de Mulheres Indígenas do CIR, Kelliane Wapichana, acompanhada pela assessora do departamento, Kaline Mota.
Kelliane Wapichana destacou a importância da iniciativa e da criação de espaços onde as mulheres possam fortalecer sua autonomia, compartilhar experiências e conversar sobre os desafios vivenciados nos territórios.
“Esse espaço, além de fortalecer a autonomia, é um local para acolher umas às outras. Além de produzir artesanatos, trançar palhas, tricotar e costurar, o local também é para conversarem sobre como estão se sentindo dentro dos territórios indígenas”, disse Kelliane.
O momento também foi de relembrar a trajetória da iniciativa desde a entrega dos materiais, em agosto de 2025. Na ocasião, a então coordenadora local das mulheres, Luzileize Duarte Brito, destacou a importância daquele momento para a comunidade e recordou o apoio recebido ao longo da caminhada.
Segundo Luzileize, a chegada dos materiais representava a realização de um sonho coletivo, especialmente por se tratar do primeiro projeto recebido pela comunidade. Ela também homenageou a liderança Jairo Macuxi, já falecido, que apoiava a iniciativa e acreditava na importância do trabalho das mulheres.
A trajetória entre a entrega dos materiais e a inauguração demonstra a continuidade do esforço das mulheres e das lideranças para transformar uma proposta em um espaço de trabalho e convivência.
A ação contou com o apoio do Departamento de Mulheres Indígenas do Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio dos parceiros FIMI e Tenure Facility.