Anna Komanto Eseru: imersão cultural no sagrado território Raposa Serra do Sol

O Anna Komanto Eseru (língua Macuxi) - Festival da Panela de Barro, uma das maiores festas culturais do estado de Roraima, inaugurou o mês mais festivo nas comunidades indígenas do Estado. A 9ª edição ocorreu nos últimos dias 3, 4 e 5 de novembro, na comunidade indígena Raposa I, região da Raposa, na terra indígena Raposa Serra do Sol, município de Normandia.

Originado a partir da ideia de que a arte de fazer panelas de barro é patrimônio imaterial indígena, mesmo que esse patrimônio ainda não seja reconhecido pelo Estado brasileiro, mas que precisa ser valorizado, preservado e sensibilizado, principalmente, pela comunidade, o Festival tem sido o espaço para outras diversas culturas, como a dança, pintura, cantos, tranças, competições esportivas tradicionais, corrida de tora, arco e flecha, além da contação histórias e resgate da memória. Uma verdadeira imersão cultural no sagrado território Raposa Serra do Sol.

Atividades culturais/Ascom - CIR
Atividades culturais/Ascom - CIR
Atividades culturais/Ascom - CIR
Atividades culturais/Ascom - CIR
Atividades culturais/Ascom - CIR
Atividades culturais/Ascom - CIR

Além do espaço de valorização cultural, o Festival é um espaço de geração de renda com a venda de produtos que vão além da panela, mas de outras variedades confeccionadas com barro, jarros, xícaras, tigelas, animais e demais. O espaço é também a troca de saberes e costumes tradicionais, que passam de geração em geração, como avós, filhas, netas e até bisnetos.

Uma das artesãs que fazem parte do grupo de mulheres, Ivanir Fidelis da Silva, do povo Macuxi, casada com Claudio Viriato Raposo, neto da eterna, matriarca da comunidade e embrião da panela de barro, a Vovó Damiana, contou que tem buscando participar da iniciativa para repassar os conhecimentos às suas filhas, Sara e Ilana Raposo. Assim como ela aprendeu a fazer a panela de barro, ela quer que suas filhas também aprendam e continuem repassando esses conhecimentos.

Sempre gostei de participar e, para mim, foi uma porta aberta, não só para mim, mas para minhas colegas, as paneleiras, em relação a geração de renda”, ressaltou Fidelis. “ É importante a gente repassar aos filhos e netos, porque as que faziam antes já se foram e nós também. Estou vendo as mamães novas aprendendo e repassado”, completou. Dona Ivanir, suas filhas, Sara e Ilana Raposo, e neta Deborah Filde / Ascom-CIR Sempre falo para elas aprenderem. A Ilana aprendeu a fazer as miniaturas, ela vai polindo e eu fazendo o acabamento das peças”, destacou Ivanir sobre o repasse de conhecimento e acompanhamento dos trabalhos feitos por suas filhas. Para Ivanir, o mais importante é ter a massa nas mãos, o contato com o barro que é sagrado, porque a criatividade é de cada um.

Para conferir o festival, a equipe jurídica do Conselho Indígena de Roraima (CIR), os advogados indígenas, Júnior Wapichana e Ivo Makuxi, a consultora jurídica, a advogada indígena, Fernanda Wapichana, além da consultora em comunicação, Mayra Wapichana, estiveram no sábado (4), e foram recepcionados pelo coordenador da organização do evento, Enoque Raposo, originário da comunidade.

Equipe Jurídica junto com o GPVTI da região da Raposa/Ascom-CIR
Equipe Jurídica junto com o GPVTI da região da Raposa/Ascom-CIR

Em um espaço reservado para o festival, a equipe pôde vivenciar a troca de saberes, conhecimentos tradicionais e a receptividade do povo Macuxi daquela região, principalmente das mulheres e crianças que ali participavam de mais um festival. Um evento que recebeu visitantes de várias regiões do Estado e até fora.

Houve competição de produção da panela de barro, pintura corporal, arco e flecha, limpeza do corpo, trançar darruana, e demais atividades culturais.

Este ano, o Festival recebeu o apoio do Fundo Indígena da Amazônia Brasileira (Podáali), um mecanismo de fortalecimento da autonomia das comunidades, povos e organizações indígenas. O Fundo Podáali é uma iniciativa da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Mulheres indígenas artesãs do Projeto Panela de Barro/Ascom-CIR
Mulheres indígenas artesãs do Projeto Panela de Barro/Ascom-CIR

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