O Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial e Ambiental, realiza desde 2011 os Estudos de Casos de Mudanças Climáticas ou Planos de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, sobre os impactos nas percepções dos povos indígenas de Roraima, evidenciando como essas mudanças afetam diretamente os modos de vida nas comunidades e Terras Indígenas do Estado.
Em 2015, foi lançado o primeiro Plano de Enfrentamento às Mudanças Climáticas da região Serra da Lua, intitulado Amazad Pana’adinhan – Percepções das Comunidades Indígenas sobre Mudanças Climáticas. O documento ganhou destaque internacional pelo seu pioneirismo, tornando-se referência para a elaboração de novos planos, como os da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e da região Amajari, lançados em março de 2025. Atualmente, está em andamento o processo de elaboração do plano da região Murupu.
Esses planos foram construídos pelos pesquisadores indígenas, Agentes Territoriais e Ambientais Indígenas (ATAIs), juntamente com mulheres, jovens e lideranças mais experientes, com base nas percepções e perspectivas das próprias comunidades e regiões. O enfoque central é a relação entre os povos indígenas e as transformações climáticas em seus diferentes contextos culturais e ambientais, evidenciando os impactos diretos dessas mudanças na vida das comunidades indígenas em Roraima. São subsídios vindos do chão da comunidade para os espaços de incidência a nível regional, nacional e internacional, influenciando a tomada de decisões nas políticas públicas e de países.
Região Serra da Lua: abrange 21 comunidades e 9 Terras Indígenas (Bom Jesus, Manoa-Pium, Jacamim, Moskow, Muriru, Canauanim, Tabalascada, Malacacheta e Jabuti), reunindo uma população de mais de 10 mil indígenas.
Terra Indígena Raposa Serra do Sol (TIRSS): uma das maiores do Brasil, com 1,743 milhão de hectares, organizada em quatro grandes regiões (Raposa, Surumu, Baixo Cotingo e Serras), que somam mais de 150 comunidades e uma população superior a 33 mil indígenas.
Região Amajari: reúne 21 comunidades e oito Terras Indígenas (Araçá, Anaro, Ouro, Ponta da Serra, Aningal, Cajueiro, Santa Inês e Ananás), com uma população aproximada de 4 mil indígenas.