O Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), do Conselho Indígena de Roraima (CIR), iniciou, nos dias 23 e 24 de abril de 2026, a implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A região das Serras é a primeira a receber as ações previstas no plano, que conta com apoio dos parceiros: Nia Tero, AECID, ICS, PAWANKA e Danida (Embaixada da Dinamarca).
Comunidades e Lideranças indígenas dos povos Macuxi e patamona de nove (09) sub – centros: Morro, Pedra Branca, São Mateus, Caraparú I, Pedra Preta, Campo Formoso, Willimom, Caracanã e Maturuca que compõem a região das Serras se fizeram presentes no encontro de implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental, ou, plano de vida das comunidades, no tradicional malocão da Homologação, Centro Regional Maturuca.
Além das lideranças regionais, estiveram presentes: O Departamento Administrativo e Financeiro (DAF), Charlane Almeida e Sulamita, Departamento de Gestão Territorial Ambiental e Mudanças Climática (DGTAMC), Sineia do Vale, Ayrton, Ivone e Edite Veloso. Equipe que dá o suporte para o andamento das atividades.
O PGTA é um instrumento de planejamento que orienta o uso sustentável do território, a proteção dos recursos naturais e o fortalecimento da gestão ambiental nas comunidades indígenas. Entre as linhas de ação, estão a preservação das nascentes e florestas, o manejo adequado dos recursos naturais, a vigilância territorial e o enfrentamento das mudanças climáticas.
A coordenadora do Departamento de Gestão Territorial Ambiental e Mudanças Climáticas do CIR, Sineia do Vale destacou a importância do momento histórico que vem sendo construído desde 2010, juntamente com as lideranças indígenas da região.
“É importante dizer que em 2010, estivemos aqui na comunidade Maturuca, na região das Serras, na terra indígena Raposa Serra do Sol, em uma reunião com 400 lideranças, onde deu início aos Planos de Gestão Territorial Ambiental e mudança climática. Esses planos que a gente tem construído, é muito importante a gente trazer esse histórico, porque foi aqui que as lideranças decidiram como a gente pode colocar no documento, principalmente, o potencial das terras indígenas, das regiões, das comunidades.” destacou Sineia do Vale.
Atualmente, a região das Serras reúne 79 comunidades, com uma população estimada em aproximadamente 12.500 indígenas, sendo a maioria do povo Macuxi.
Para o coordenador regional da Região das Serras, Djacir Melquior do povo Macuxi, o PGTA é um plano de vida que vem sendo trabalhado há anos, principalmente na parte da agricultura e na preservação das sementes tradicionais.
“O PGTA, hoje, aqui no nosso meio, é o plano de vida das comunidades. Temos esse plano, que não é de hoje, já é de muito tempo. Por exemplo, temos as sementes tradicionais que estamos perdendo bastante, então com esse plano e a implementação vamos buscar um meio para que possamos preservar, e ter essas nossas sementes para que não acabe. Então, estamos trabalhando agora para termos no futuro, e com isso vamos comercializar a nossa semente orgânica, daqui da nossa região, daqui da Raposa Serra do Sol.” Disse Djacir, coordenador regional.
A implementação é considerada um marco histórico e vem sendo celebrada como símbolo de conquista e resistência dos povos indígenas da região. A homologação do território, após um processo a cerca de 30 anos de luta, que consolidou o direito à terra e abriu caminho para ações estruturantes como os PGTAs.
De acordo com líder indígena, Orlando Pereira, da comunidade Indígena Uiramutã, a luta pela terra vem sendo trabalhado há muito tempo, para que fosse homologada e demarcada em área continua, para melhor convivência dos povos indígenas.
“Então, nós somos uma comunidade, e eu quero destacar um pouquinho a respeito da nossa convivência através da nossa terra, a área Raposa Serra do Sol, que nós consideramos como a nossa mãe e trabalhamos durante 30 anos, até muito mais antes, né, meus avôs, meus bisavôs já vinham lutando a respeito. Mas eu digo assim, que eu me sinto feliz hoje, a gente sempre trabalhamos em conjunto, a área Raposa Serra do Sol, ela não é individual, é uma terra comunitária, quer dizer que é uma terra que a gente trabalhou todo mundo junto, e conseguimos, com muita luta, muita luta mesmo. Foi aí que a gente viajou muitas vezes, buscando como que a gente podia fazer que ela voltasse à nossa mão, à nossa terra, Raposa Serra do Sol.” Disse Pereira
As próximas etapas das implementações do PGTA serão realizadas nas regiões do Baixo Cotingo, Raposa, Surumú e Ingaricó, ampliando o alcance das ações em toda a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.