CIR REALIZA OFICINA SOBRE AVANÇOS NOS DIREITOS TERRITORIAIS DOS POVOS INDÍGENAS DE RORAIMA

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) realizou, na última quinta-feira (5), uma oficina de pactuação das atividades do projeto “Avanços nos Direitos Territoriais dos Povos Indígenas de Roraima”, na comunidade indígena Serra da Moça, região Murupú.

A oficina reuniu lideranças indígenas de diversas regiões, especialmente de terras indígenas demarcadas em ilha, além de representantes da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Estiveram presentes os tuxauas gerais Amarildo Macuxi e Kelliane Wapichana, equipes dos departamentos Jurídico, Fundo Indígena Rutî e o Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC) do CIR.

O encontro teve como principal objetivo ouvir as demandas dos territórios demarcados em ilha e orientar o direcionamento do projeto, com foco no monitoramento territorial nos processos de estudo e demarcação. A iniciativa representa mais um passo no fortalecimento da gestão territorial indígena e conta com o apoio da Tenure Facility, organização global sem fins lucrativos que apoia povos indígenas e comunidades locais.

O primeiro passo do projeto foi o levantamento das demandas territoriais por meio da escuta das lideranças e do diálogo com coordenadores regionais de mulheres, tuxauas, jovens e lideranças tradicionais. Esse processo subsidiou o planejamento e a elaboração do projeto. As visitas e consultas nos territórios ocorreram durante o mês de janeiro de 2026, priorizando terras indígenas demarcadas em ilha e aquelas em processo de estudo e demarcação, como: Terra Indígena Manoá Pium, Pium, Arapuá, Anaro, Anzol, Lago da Praia, Truarú e Pirititi.

A ideia da oficina foi sistematizar o documento do projeto, construindo uma linha antropológica a partir das informações coletadas durante as visitas aos territórios. Para a coordenação do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas, o documento é fundamental para registrar as necessidades específicas de cada território e fortalecer as ações de gestão das terras indígenas.

Participação das Lideranças Indígenas na oficina. Fotos: ASCOM - CIR

De acordo com Sineia do Vale, coordenadora do DGTAMC, as terras indígenas demarcadas em ilha enfrentam diversas pressões externas, como o avanço da soja, fazendas, invasões e a escassez de recursos naturais.

“Hoje a gente vê que não tem mais palha para fazer as casas e a caça diminuiu dentro das terras indígenas demarcadas em ilha. Tudo isso são pressões que precisam ser consideradas na construção dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs)”, destacou.

Durante a oficina, o departamento jurídico do CIR apresentou as cinco linhas de atuação do projeto: demarcação territorial, proteção e vigilância, implementação dos PGTAs, atendimento às demandas das mulheres, e apoio a projetos contemplados pelo Fundo Indígena Rutî.

O processo de construção do projeto foi baseado na consulta direta aos territórios, com o objetivo de verificar as possibilidades de participação das terras indígenas demarcadas em ilha. Após essa etapa, as demandas e relatórios apresentados serão sistematizados para orientar a execução das ações previstas.

O tuxaua geral do CIR, Amarildo Macuxi, ressaltou que a proposta do projeto é fortalecer iniciativas que já existem nas comunidades e nos territórios, tanto os demarcados quanto aqueles em processo de demarcação.

“A ideia é fortalecer o que vocês já fazem. Por isso estamos concentrando os trabalhos no monitoramento territorial das terras demarcadas em ilha e também daquelas que ainda estão em processo de demarcação. Nosso objetivo é ouvir vocês e trabalhar nessa linha de produção territorial”, afirmou.

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