A formação abordou o uso, a manutenção e a conservação de roçadeiras, motosserras e pulverizadores. Participaram do treinamento 16 brigadistas comunitários, e todos receberam certificados.
O Conselho Indígena de Roraima (CIR) promoveu, pela primeira vez, uma capacitação voltada à manutenção e ao manuseio seguro de equipamentos manuais e motorizados utilizados no trabalho de brigadistas indígenas. A formação ocorreu entre os dias 28 e 30 de agosto, na comunidade indígena Serra da Moça, localizada na Terra Indígena Serra da Moça, região do Murupu, em Roraima.
A iniciativa foi realizada por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), com apoio das organizações parceiras: Rainforest, Pawanka, Fundo Casa, Nia Tero e Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID).
Na capacitação, os brigadistas receberam orientações sobre procedimentos de segurança, funcionamento dos equipamentos, formas corretas de utilização, limpeza e manutenção. Além das aulas teóricas, a programação também contou com atividades práticas para aproximar o conteúdo apresentado em sala da realidade enfrentada pelas brigadas nos territórios.
Conforme Ana Paula Levi, coordenadora das brigadas, a formação contínua é necessária para que os brigadistas estejam preparados para atuar em diferentes situações. E essa formação é justamente para que operem de forma segura as máquinas e os equipamentos, seguindo os princípios da Norma Regulamentadora nº 12 (NR-12), do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece medidas de proteção para o manuseio de determinados instrumentos de trabalho.
“É importante ter brigadistas capacitados, formados, e nós termos essa formação. Todos os brigadistas têm o curso de capacitação, curso de reciclagem, tudo para estar apto para atuar no combate aos incêndios florestais”, destacou Ana Paula.
Segundo o instrutor do curso, Wanderson Cleyton, o conteúdo ensinado está alinhado diretamente com as necessidades dos brigadistas que, em breve, atuarão nas queimas prescritas comunitárias.
“Como eles vão estar trabalhando constantemente com a questão do combate ao fogo [...] é fundamental que eles estejam preparados para quando a máquina vier a dar algum problema, vier a dar qualquer sintoma de parada, que eles tenham esse conhecimento de fazer aquela manutenção, tanto a manutenção preventiva quanto a corretiva”, afirmou.
Os brigadistas comunitários indígenas possuem um papel fundamental na proteção dos territórios. Dentre as principais ações desenvolvidas por eles estão a prevenção, o monitoramento e o combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas. Também atuam na linha de frente para remediar os efeitos das mudanças climáticas. Uma das técnicas utilizadas por eles é o Manejo Integrado do Fogo (MIF), cujo propósito é diminuir as áreas que servem de combustível para os incêndios descontrolados.
Marivalda Thomaz atua há um ano e dez meses na Brigada Feminina Pataxibas. A base da brigada fica na Comunidade Indígena Sucuba, região do Alto Cauamé. Marivalda participou do curso e destacou que os conhecimentos adquiridos são importantes nas ações desenvolvidas no território e que vai compartilhar com as demais brigadistas.
“Foram selecionados dois brigadistas de cada base, eu fui uma das selecionadas e o que eu estou aprendendo aqui é tudo muito novo para mim e para a minha colega. Então, eu tô muito feliz pela oportunidade, tô aprendendo e vamos repassar todos esses conhecimentos para as outras na base”, relatou a brigadista.
Ainda conforme o supervisor da Brigada Indígena Comunitária, Jonatas Firmino, a capacitação contribui para ampliar a autonomia dos brigadistas e das comunidades, que lidam diariamente com as mudanças climáticas. O supervisor explica que estar preparado é fundamental para a proteção dos territórios.
“Ela [a capacitação] traz autonomia tanto para a comunidade quanto para os brigadistas. Ela também serve para motivar os brigadistas a manusearem bem ferramentas que são utilizadas e que são úteis para o trabalho de campo dentro dos incêndios, para os quais a gente está se preparando para poder atuar com toda segurança no campo de cada brigada que aqui está sendo representada”, explicou.
A capacitação técnica faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas pelo Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), coordenado por Sineia do Vale. As iniciativas são para fortalecer a prevenção e agir com resposta eficaz aos incêndios florestais nos territórios indígenas de Roraima. Além da capacitação, o calendário de ações inclui outras estratégias, entre elas a realização de queimas prescritas, previstas para ocorrer durante o mês de setembro.
A prática consiste no uso planejado e controlado do fogo em áreas previamente definidas, com base nos conhecimentos ancestrais dos territórios e nas tecnologias específicas para esse fim. A técnica contribui para reduzir a quantidade de vegetação seca disponível para alimentar incêndios durante períodos de maior estiagem.