Centro Willimon inaugura Casa de Sementes Tradicionais, durante a IV Edição da Feira de Produção Orgânica

A IV edição da Feira de Produção Sustentável e de Artesanato do Centro Willimon, região das Serras, na terra indígena Raposa Serra do Sol, realizada no período de 27 a 30, movimentou a economia regional, com vendas, exposições degustações, e fortaleceu a autonomia das comunidades indígenas. A feira foi espaço de mais um momento histórico, símbolo para os povos indígenas daquele sagrado território: inauguração da Casa de sementes tradicionais.

Os visitantes puderam apreciar, degustar dos produtos cultivados na região, sem uso de agrotóxicos, de máquinas pesadas, preservando o solo, o meio ambiente e os recursos naturais. Nas barracas foi possível conferir a exposição de carne bovina, melancia, milho, batata, feijão, e outros produtos, que são fruto de sementes tradicionais.

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Fotos: Ascom/cir

Mais de 19 comunidades indígenas que fazem parte do Centro marcaram presença na feira ,além de outras comunidades como Pedra Branca, Maturuca, Pedra Preta e Camararém, que pertencem a outros centros da região das Serras.

Mariene Macuxi, veio da Comunidade Popó, junto com os demais moradores, trouxe uma variedade de produtos orgânicos, sementes tradicionais produzidos na terra indígena Raposa Serra do Sol, ela afirmou, ser contra o marco temporal porque pensa nas futuras gerações.

“Nós estamos na luta todos os dias, porque nós queremos nosso território livre, para plantar, colher e sustentar a nossa família, que no futuro as crianças tenham um território preservado para produzir, criar e se alimentar”,afirmou a catequista.

Alcides Lima, do povo Macuxi, tem 51 anos, participa da feira desde a primeira edição, saiu da comunidade Lage, para vender banana, feijão, farinha, abóbora e batata, produtos cultivados na sua roça, fonte de sustento da família.

“ A gente planta e colhe no nosso território, aqui é muito bonito, é uma riqueza muito grande, temos cana, feijão, beijú, cará, aqui a gente tem muito alimento para sustentar nossos filhos e também vender”, concluiu Alcides.

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Produção das comunidades que fazem parte do Centro Willimon. Fotos: Ascom/CIR

O evento, realizado no período de 27 a 30, teve como um dos momentos mais aguardados da programação a visita da presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e ex-deputada federal, Joenia Wapichana. Compondo a comitiva da presidenta, também estiveram presentes, os representantes do Ministério dos Povos Indígenas ( MPI), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Embrapa Roraima, Coordenação Regional da Funai/RR e demais participantes.

“Nós trouxemos essa comitiva, para mostrar que é importante ter o apoio do governo federal, e principalmente mostrar a potencialidade do povo da T.I Raposa Serra do Sol, e reforçar que não estão passando fome e nem vivendo no lixão, e que o STF não com cometeu um erro quando homologou aqui”, afirmou a presidenta.

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Chegada da comitiva acompanhada das lideranças tradicionais. Fotos: Ascom /CIR

A construção da casa de sementes, representa uma conquista histórica, resultado da indicação de emenda parlamentar da ex- deputada Joenia Wapichana, com apoio da Embrapa e Conselho Indígena de Roraima (CIR). A secretária do Movimento de Mulheres Indígenas de Roraima, Kelliane Wapichana, cuja atuação é muito voltada também para essa área das sementes tradicionais, ressaltou que é um sonho realizado e afirma que é a continuidade dos saberes tradicionais.

“Hoje se inaugura a primeira casa de sementes, importante para os povos indígenas, principalmente para o Centro Willimon que são os verdadeiros guardiões das sementes que tem diversidades, qualidade, as sementes são passadas de geração em geração, sendo uma das formas de luta pelo território”, concluiu a secretária.

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Os guardiões das sementres tradicionais durante a entrega dos produtos para a casa de sementes. Fotos Ascom/ CIR

Amarildo Macuxi, coordenador da região das Serras, reforçou que o centro Willimon, não depende do governo estadual, é referência para o estado de Roraima e o restante do país. Parabenizou as lideranças, jovens e crianças pelo resgates e preservação das sementes tradicionais

“Estamos lutando pelo bem viver da nossa comunidade, por isso, continuamos resistente.Eu me sinto feliz em ver meu povo produzindo, sem depender do governo, e a presença da comitiva aqui no centro nos fortalecer como lideranças”, ressaltou o coordenador.

No centro, são mais de 10 variedades de sementes tradicionais como melancia, feijão rajado, feijão-de-corda, feijão preto regional, feijão-caupi, feijão vermelho,amendoim, milho tilibra e o milho 40 dias, todas foram entregues pelos os guardiões das sementes para serem armazenadas e depois compartilhadas para que não entre em extinção e assim dar continuidade aos saberes ancestrais.

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Produtos da IV edição da feirade Produção Sustentável e de Artesanato do Centro Willimon. Fotos: Ascom/CIR

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