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Moradores da comunidade Raposa II sentem as consequências do garimpo ilegal na T.I Raposa Serra do Sol

Garimpo na Serra do Atola. Foto: Comunicador Janderson Macuxi

Rodeada por serras, banhada por lagos e com uma vegetação com imensa área de lavrado,  situada a comunidade Raposa II a oeste da TI Raposa Serra do Sol, município de Normandia no estado Roraima. Desde setembro do ano de 2019 os moradores da comunidade estão sendo ameaçados pela instalação de um garimpo ilegal na Serra do Atola, que fica cerca de 2 quilômetros  do centro da comunidade.

Serra do Atola. Foto: Comunicador Janderson Macuxi

Tuxaua Matias, macuxi, da comunidade Raposa II, relatou sua preocupação por causa dessa atividade ilegal. Disse que o modo de vida da comunidade vem se modificando por causa da entrada de pessoas estranhas, e com o tráfego constante de veículos. Relatou ainda que na serra há mais de 300 pessoas.

Considerado pelas lideranças tradicional como local sagrado e habitat de animais e aves, a Serra do Atola vai se desmoronando aos poucos pela ação dos garimpeiros.

“Eu como tuxaua da comunidade penso no futuro das crianças no bem estar da minha comunidade, dos meus animais, queremos manter nossa mãe terra saudável, peço as autoridades que tome as providencias antes de acontecer algo pior” destacou.

“Era lugar da nossa caçada, tínhamos igarapés onde pescávamos, hoje está sendo destruído porque os garimpeiros estão usando o mercúrio” afirmou o senhor Orlando de Souza.

Senhor Rufino de Souza, há 45 anos morando na comunidade, não se conforma com o que estão fazendo com a natureza. Se não fechar esse garimpo, teme pelo pior. Segundo ele, o garimpo só vai trazer morte e doenças. “Não estou gostando dessas garimpagens na nossa terra, essa serra a gente caçava, pescava nos lagos e agora não podemos mais, porque estão destruindo tudo”, disse.

Para dona Diva da Silva, 65 anos, o garimpo fez com que ela se sentisse uma estranha na sua própria terra. Lembrou que sua luta não foi para trazer garimpeiro, mas para ver seu povo livre. “É dolorido porque lutamos pela terra, vi meus irmãos morrendo lutando e agora o garimpo está bem perto da minha casa”, lamentou com os olhos cheios de lágrimas. Suas criações de gado perderam o pasto e junto com seu esposo seu Caetano de Souza, agora ficam o dia pastoreando o rebanho. Relatou que uma reis sumiu e o cercado foi derrubado. O Igarapé do atola não serve mais para nada porque a água está contaminada.

Preocupados com essa atividade ilegal, o coordenador Valério Macuxi decidiu colocar em pauta na assembleia regional realizado no início do mês de fevereiro de 2020. Disse que foi um dia de reflexão e ao final 35 tuxauas presentes da região decidiram fechar o garimpo, “antes do garimpo, vivíamos tranquilo, a gente pescava, deixava o nosso gado solto, hoje estão sumindo, hoje não dar mais pra pescar, os igarapés estão poluídos,” afirmou o coordenador. Contou ainda que o senador Chico Rodrigues foi a sua procura, querendo conversar, mais adiantou ao Senador que não tem conversa e acordo se for para tratar sobre o garimpo.

O líder Indígena Valério destacou ainda que não é só a comunidade Raposa II que está sendo afetada, mas todas as 51 comunidades da região Raposa. Já encaminhou documentos a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério Público Federal (MPF), Policia Federal (PF) e o Exército para que seja tomada as devidas providências para fechar esse garimpo ilegal.

Garimpo ilegal. Foto: Comunicador Janderson Macuxi

Raposa Serra do Sol: A T.I Raposa Serra do Sol foi homologada pelo decreto 15 de Abril de 2005, após embates políticos e jurídicos, em 2009 o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 10 votos a 1 manter o decreto de homologação. A terra indígena possui uma área de 1,7 milhão de hectares, dos povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Sapará, Patamona eTaurepang, com uma população aproximada de mais 20 mil indígenas.

Os povos da Raposa Serra do Sol possui um modelo próprio de organização , dividida em 04 regiões, Serras, Surumu, Baixo Cotingo e Raposa, sendo dirigidos por uma coordenação regional, conselhos e tuxauas.

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