CIR OFERECE ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA A FAMÍLIAS INDÍGENAS DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) por meio da Campanha Emergencial de Combate à Covid-19 está oferecendo assistência psicológica a famílias indígenas afetados pela pandemia do novo coronavírus. Roraima já ultrapassa os 2,5 mil casos e 80 óbitos pela doença entre os povos indígenas do estado.

A iniciativa do CIR, que tem apoio da Nia Tero e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), é dirigida pela psicóloga Iterniza Pereira, da etnia Macuxi. Desde o início da pandemia, são feitos trabalhos de conscientização e acompanhamento de famílias afetadas pela doença nas comunidades e em Boa Vista, explicando sobre o novo coronavírus, quais os cuidados a serem tomados, e como é possível lidar com a perda de entes queridos.

Segundo Iterniza Pereira, os primeiros impactos da pandemia nas comunidades indígenas de Roraima foram na adaptação do convívio para evitar que o vírus circulasse. Depois, com o avanço da pandemia, o projeto passou a acompanhar famílias que perderam entes queridos para a doença e sofriam com o abalo emocional do luto. “Nossa cultura é regada a compartilhamentos diários e as mudanças foram bruscas, tornando-se fatores de risco à saúde mental das comunidades”, disse a psicóloga.

Projeto acompanha famílias a enfrentar FOTO: Ascom/CIR

Outro desafio que surgiu com o aumento no número de casos foi a resistência de alguns indígenas em realizar as testagens, principalmente os mais idosos, que temiam em receber diagnósticos positivos. “Com muitas famílias e lideranças mostrando resistência ao fazer o teste da covid-19, e principalmente, pelo avanço de números de mortes de lideranças, tive o cuidado de explicar a importância de buscar pelo tratamento o mais rápido possível, sendo eles o tratamento com remédios caseiros, tratamento no pajé, o tratamento médico e o auxílio psicológico, todos a serem realizados ao mesmo tempo”, disse Iterniza.

Hoje em Boa Vista o projeto acompanha 20 famílias. Uma delas é a da dona Rosilda da Silva de 52 anos, da etnia macuxi, que agradece pelo acompanhamento. “O atendimento psicológico é muito importante nesse momento de recuperação para nós, pois eu me sinto muito triste, porque perdi para essa doença uma pessoa próxima”, disse ela.

Na comunidade Maturuca, região Serras, Raposa Serra do Sol, 109 dos 675 moradores testaram positivo para a doença e um foi a óbito. No local, o projeto também realizou atendimentos entre os dias 4 e 5 de agosto, ouvindo famílias que foram infectados pela Covid-19 e também Agentes Indígenas de Saúde (AIES) da comunidade, profissionais que estão na linha de frente do combate à doença.

“Ao realizar os atendimentos muitas das vezes é nítido nas pessoas o medo de serem infectadas por um vírus potencialmente fatal, de rápida disseminação, cujas origens, natureza ainda são pouco conhecidos, o que acaba por afetar o bem-estar psicológico de muitas pessoas”, disse

“Mas estamos fazendo o acolhimento e a escuta sobre as vulnerabilidades e sobre a interpretação da atual situação. Trabalhamos ainda sobre a perda e o luto, além da quebra do ritual de despedida da pessoa vítima da Covid-19 como uma forma de ajudar os povos indígenas a enfrentarem esse momento tão difícil”, finalizou Iterniza

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