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Comunidades indígenas em Roraima realizam Assembleias Regionais

As comunidades indígenas em Roraima iniciaram nesse mês de novembro as Assembleias Regionais, uma atividade realizada com o objetivo de avaliar os resultados das atividades anuais, propor e planejar as ações do ano seguinte. A primeira Assembleia Regional foi realizada na região do Amajari, no período de 11 a 14, no Centro das Lideranças Indígenas de Amajari “Tuxaua Salomão Batista”, localizado na comunidade indígena Aracá, Terra Indígena Araçá. As regiões são membro do Conselho Indígena de Roraima (CIR), conforme Estatuto da organização. 

A Assembleia que teve como tema “Unir para fortalecer, fortalecer para garantir nossos direitos constitucionais e revigorar nossa autonomia comunitária, educacional e política”, reuniu aproximadamente 200 participantes, entre, Tuxauas, professores, agentes indígenas de saúde, estudantes, além, de representantes das instituições públicas do Estado e Município e organizações indígenas. 

Durante os quatro dias de Assembleia, as lideranças indígenas debateram a pauta referente à saúde, educação, projetos sustentáveis, além dos encaminhamentos quanto à indicação para a nova coordenação geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Secretaria do Movimento de Mulheres Indígenas e encaminhamentos para a pasta da Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas do município de Amajari. 

Houve as indicações do jovem Enock Barroso Tenente da etnia Taurepang para a coordenação geral do CIR e professora Maria Betânia Mota de Jesus da etnia Macuxi para a Secretaria do Movimento de Mulheres. Esses nomes serão apresentados na segunda reunião Ampliada do Conselho Indígena de Roraima, que será realizada no período de 11 a 15 de dezembro, no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), para apreciação das regiões e sobre a pasta da Secretaria municipal, as lideranças indígenas da região Amajari, aprovaram a indicação do jovem indígena, Paulo Barroso Januário da etnia Wapichana que deverá assumir a pasta na nova gestão municipal em 2017. 

Recepcionado com danças e cantos tradicionais pelos estudantes indígenas do ensino infantil da Escola Estadual Indígena Raimundo Tenente da comunidade indígena Aracá, o coordenador geral do CIR, Mario Nicacio, participou do último dia da Assembleia levando informações das atividades da organização indígena, a agenda até o final do mandato da coordenação, situação e funcionamento da organização, as perspectivas para os próximos anos, bem como informações da atual conjuntura da questão indígena no Brasil.

Nicacio alertou para que as comunidades indígenas fiquem atentas as PECs, entre elas, a PEC 255, e ainda, a PEC 215 que tramita na Câmara, os projetos de lei de Mineração e hidrelétricas nas terras indígenas, além disso, atentas a forte pressão do atual governo que busca tirar a autonomia dos povos indígenas na saúde indígena, educação, demarcação das terras indígenas e outros espaços conquistados pelo movimento indígena. 

 

 

 

Região Murupu

 

A Assembleia Regional do Murupu foi realizada no período de 16 a 18 de novembro, na comunidade indígena Anzol. A região que compreende cinco comunidades indígenas, Serra da Moça, Serra do Truaru, Truaru da Cabeceira, Morcego e Anzol, está localizada na Terra Indígena Serra da Moça, município de Boa Vista. A comunidade indígena Lago da Praia, destruída em 2005, está com o processo no Supremo Tribunal Federal (STF) reivindicando o direito territorial.  

Essa Assembleia realizada de forma simbólica e histórica para as comunidades da região, principalmente, para a comunidade indígena Anzol, por se tratar de uma comunidade indígena que ainda reivindica a sua identificação e reconhecimento por parte do Estado brasileiro. Excluída do processo de demarcação da Terra Indígena Serra da Moça, no período da demarcação, a comunidade indígena Anzol, há três anos, vem lutando para ter os direitos territoriais garantidos e assim, também ter acesso aos direitos básicos como saúde, educação, e ao menos, acesso à água potável que, hoje, é o maior problema da comunidade. 

Depois de vários documentos enviados aos órgãos públicos, denunciando o descaso da falta de água, o Anzol, hoje, é atendida pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) que abastece periodicamente a comunidade, mas a luta é que haja um abastecimento próprio na comunidade, já que o acesso aos igarapés e rios, inclusive, a um dos principais rios do Estado, o Uraricoera, que passa beirando a comunidade, está impedida pelos fazendeiros. A área da comunidade indígena conforme o Tuxaua Arão de Almeida é de aproximadamente 4 hectare. 

A Assembleia, com pauta voltada para os informes da região em relação à atuação dos tuxauas, coordenação regional, juventude, mulheres, projeto de gado e da saúde, além, da pauta sobre educação, especificamente, a atuação da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIR) e discussão sobre projetos sustentáveis para a região Murupu. O último dia foi destinado para a elaboração e aprovação de um documento com os encaminhamentos da Assembleia.

O Vice-coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Ivaldo Andre, participou do segundo dia da Assembleia, 17, levando informações das atividades da organização indígena. Na ocasião, entregou as comunidades indígenas o decreto de demarcação da Terra Indígena Serra da Moça, o decreto n° 258, de 29 de outubro de 1991.

Ivaldo Andre reforçou a importância de a comunidade indígena ter sempre o decreto em mãos para cada vez mais fortalecer a sua organização social, fortalecer os trabalhos na região, bem como incentivar os trabalhos de produção sustentável, já que a terra indígena está garantida. Em relação à educação, Ivaldo reforçou que a política da organização sempre foi de defender os direitos e interesses dos povos indígenas, buscando sempre o diálogo com o Estado brasileiro e por isso, também sempre lutou pela educação específica e diferenciada. 

Lembrou-se da atuação do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), um Centro que é voltado para a formação de jovens lideranças indígenas, formação agropecuária e outras áreas disponíveis no Centro indígena, deixando a mensagem de que é importante o jovem também buscar essa formação e voltar para ajudar a sua comunidade indígena. 

A Assembleia contou com a presença do coordenador da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR), Misaque Antone. O coordenador esclareceu sobre o decreto de enquadramento dos professores indígenas, segundo ele, que está causando preocupação aos professores e outro assunto é quanto o magistério indígena que está paralisado. Destacou a preocupação a nível nacional que trata sobre a PEC 255 e 257 que regulamenta a paralização das graves, exclusão dos professores efetivos, e finalizando, disse que os professores estarão prontos para o enfrentamento em defesa dos direitos indígenas, saúde, educação, terra e outros direitos. 

A comunidade indígena Anzol sendo um local de debate importante para a melhoria das comunidades indígenas da região, desde o início da luta pelo reconhecimento, apesar de várias ameaças e tentativas de intimidação, segundo o Tuxaua Arão de Almeida, avançou bastante e como exemplo é a própria realização da Assembleia e algumas iniciativas produtivas na comunidade. 

Os avanços começam pela construção do malocão comunitário, coberto de palha de buruti, vindo da comunidade indígena Mawixi, da região do Baixo São Marcos que, segundo ele, contribuíram com o material e as madeiras, são da própria comunidade Anzol. Mas, um dos principais avanços da comunidade foi na parte da agricultura, conforme destacou o Tuxaua.  

“Um dos principais avanços aqui na nossa comunidade indígena foi na parte da agricultura, porque essa empresa que nos persegue tinha entrado na justiça, para que não tivéssemos acesso aos recursos naturais e que proibia a gente colocar as nossas roças, viver de acordo com os nossos costumes, mas nós, não podemos ser impedidos e esse ano, nós colocamos a nossa roça, temos a criação de animais domésticos e estamos buscando outros projetos que atendam as nossas necessidades e melhorar o meio de vida na comunidade”, apontou o Tuxaua Arão de Almeida. 

Na 43ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, realizada no Centro Regional do Lago Caracaranã, região da Raposa, a comunidade indígena Anzol reivindicou apoio das demais regiões e comunidades indígenas membro do CIR, ocasião em que começou a fazer parte da organização e também reconhecida pela própria região Murupu e desde então, iniciou a sua grande luta pelo reconhecimento. 

O coordenador regional Alexandro Carlos das Chagas, destacou os motivos de realizar a Assembleia Regional 2016 na comunidade indígena Anzol. “Um dos motivos é dar força para a comunidade Anzol, vivenciar com as demais lideranças a realidade local que é a falta de água, o reconhecimento da terra e os conflitos com alguns posseiros que estão em torno da terra, então nós trouxemos as comunidades para vivenciar essa realidade”, destacou o coordenador. 

Em relação aos resultados da Assembleia, o coordenador informou que as demandas sobre saúde, educação e outras necessidades, serão encaminhadas aos órgãos públicos do Estado e Município para tentar solucioná-los. Outro ponto discutido na Assembleia tratou da indicação para a coordenação geral do CIR e que, segundo o coordenador, a região vai apoiar a indicação da região do Amajari, tanto para coordenação geral quanto secretaria do movimento de mulheres indígenas. 

O último dia da regional foi marcada com a visita da coordenadora do departamento Jurídico do CIR, Joenia Wapichana, do promotor de justiça do Ministério Público Estadual (MPE), Andre Paulo e do professor doutor de Direitos Humanos, convidado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR) para uma visita ao Estado, Ralph Wilde, da Universidade College London, Inglaterra. 

Para os próximos dias ocorrerão as Assembleias nas regiões da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Surumu, Serras, Baixo Cotingo, Raposa e na região da Serra da Lua. As regiões Wai-Wai e São Marcos, realizam nesta semana, 22 a 26. Confira as datas previstas:

Novembro: Terra Indígena Raposa Serra do Sol 

26 a 30 – Região Surumu, no Centro Regional 15 de Abril, na comunidade indígena Barro;

26 a 30 – Região das Serras, no Centro Regional Maturuca, na comunidade indígena Maturuca;

26 a 30: Região do Baixo Cotingo, na comunidade indígena Santa Maria;

27 a 01 de dezembro – Região da Raposa, no Centro Regional Lago Caracaranã;

Dezembro – Serra da Lua 

05 a 10 – Região da Serra da Lua, no Centro Regional Serra da Lua, comunidade indígena Malacacheta. 

 

Carta de agradecimento ao CIR pelo incentivo e valorização da comunicação indígena em Roraima

Primeiramente, a sensação que sinto é de dever e missão cumprida, sensação refletida ao sentimento de gratidão a todos (as) que contribuíram de forma direta e indireta, na conclusão do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR). O Curso que ingressei no segundo semestre do ano de 2010 por meio do Processo Seletivo Específico para Indígenas (PSEI) e hoje, saindo como a primeira estudante indígena a concluir a graduação nessa modalidade no Curso.    

Uma conclusão que se consolidou nesta quarta-feira, 6 de abril, com a defesa do meu Trabalho de Conclusão de Curso(TCC) realizada no Centro de Comunicação Letras e Artes Visuais da UFRR(CCLA), onde obtive nota máxima, 10, pela relevância e contexto do trabalho. A excelência do resultado também é coletivo, pois tive a contribuição de profissionais que atuaram no setor de comunicação, André Vasconcelos e Jessé Souza, principalmente, de lideranças indígenas como Clóvis Ambrósio(Wapichana), o líder e coordenador do CIR, Mario Nicacio, o chargista do “Informativo Anna Yekaré” Bartô Macuxi  e a professora de Língua Materna, Nilzimara Silva, que traduziu o resumo do trabalho na língua Wapichana.  

O trabalho tem como tema “As estratégias de Comunicação e o Protagonismo Indígena: Um estudo de caso no Conselho Indígena de Roraima”, tema que ainda passará por adequações de acordo com as contribuições da banca composta pelos professores doutores, Maria Goretti Leite de Lima e Vilso Junior Chierentin Santi e sob a orientação da professora doutora Vângela Maria Isidoro de Moraes. A entrega da copia definitiva do TCC está marcado para o próximo dia 16/04.  

Esse momento que considero sendo mais um momento histórico e de conquista coletiva, onde todos nós, indígenas, mais uma vez reafirmamos a nossa origem, identidade, sobretudo, fazemos a sociedade e o Estado brasileiro refletirem a que tanto nos devem: respeito, reconhecimento e valorização da nossa diversidade cultural indígena em Roraima e no Brasil.

Trouxe nesta iniciativa três capítulos, a dinâmica das lutas indígenas: processos de exclusão e de afirmação étnica; o Conselho Indígena de Roraima: ícone de organização e visibilidade indígena em Roraima; e as estratégias de comunicação do CIR: produtos, limites e possibilidades.

Nesses três campos refleti o processo de afirmação étnica a partir do conceito de ser “índio”, em seguida o processo de luta indígena em Roraima que resultou na criação da organização indígena pioneira em Roraima (CIR), e o terceiro, como instrumento de fortalecimento e visibilidade indígena, a produção midiática do CIR por meios dos produtos, informativos, programa radiofônico " A Voz dos Povos Indígenas" na emissora de Rádio FM Monte Roraima e o site. Produtos que somam a conquista, mas que precisam ser aprimorados, um desafio que já faz do cotidiano.   

A partir da questão abordada no estudo “em que medidas as estratégias de comunicação do CIR contribuíram para o processo de valorização da identidade indígena em Roraima” reflito que nunca é demais reafirmamos a nossa identidade indígena, quando temos uma sociedade, sobretudo, Universidades, que nos excluem e discriminam, por isso buscamos nessa iniciativa através da formação de jornalistas indígenas construirmos, ao menos, tentarmos novos olhares ao que nós somos, temos e queremos.

O CIR com toda história de luta pela terra, saúde e educação, sustentabilidade, também é pioneira no campo da comunicação, tendo na bagagem muitos resultados de conquistas com a atuação de jornalistas profissionais não indígenas que atuaram com coragem e compromisso por longos anos na organização indígena.

No entanto, o cenário é novo, quando o protagonismo indígena ocupa o cenário nacional e internacional. O CIR, assim como, demais organizações indígenas em outras regiões do Brasil dão oportunidades e investem no campo da comunicação indígena.

Diante dessas breves considerações, venho prestar os meus agradecimentos a essa organização indígena de renome local, nacional e internacional pela oportunidade que tive ao longo desses sete anos, ingressando em 2005 até 2008, retornando em 2013 e até hoje, períodos que foram fundamentais para a minha identificação e busca pela formação superior nessa área.

Ciente do desafio aproveito para compartilhar e ao mesmo tempo, convidar os demais comunicadores, jornalistas indígenas a somarem conosco no sentido de estarmos vigilantes a todo e qualquer ato que venha nos afetar e massacrar novamente, da mesma forma como fizeram com os nossos ancestrais. Dizer também que, pensar a comunicação é pensar como estratégia de mudança, transformação e construção social.

Por fim, gratidão direta aos coordenadores gerais do CIR, Mario Nicacio, Ivaldo André, Telma Marques, aos coordenadores de Departamentos, Sineia Bezerra do Vale (Ambiental e Territorial), Joênia Wapichana (Jurídico), Paulo Daniel (Projetos) e toda equipe da organização, assim como, as organizações indígenas, entidades sociais e os parceiros institucionais, que tanto acreditam no potencial indígena e neste caso, na comunicação indígena.

A Colação de Grau está marcada para o mês de maio, ocasião em que de fato e de direito me tornarei jornalista, mas desde já, celebramos essa conquista coletiva e pela feliz coincidência, a partir hoje, começo a celebrar também essa data, 7 de abril – Dia do Jornalista.

Sei que tenho muito o que aprender ainda, por isso conto com a colaboração de todos(as) nessa nova jornada. 

Kaimen Manawyn. Obrigada!

Mayra Wapichana

Lideranças indígenas de Roraima apontam novos desafios e reivindicam implementação de políticas públicas específicas e diferenciadas

Com a luta indígena fortalecida e renovada, os povos indígenas de Roraima encerraram na madrugada de ontem (15), às 3h, a 45ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, realizada de 11 a 14, no Centro Regional do Lago Caracaranã, região da Raposa, localizado na Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR). 

A Assembleia reuniu aproximadamente dois mil indígenas entre Tuxauas, coordenadores regionais, mulheres, jovens, agentes indígenas de saúde, agentes territoriais e ambientais indígenas, professores e demais membros comunitários, das nove regiões associadas ao Conselho Indígena de Roraima (CIR), Serra da Lua, Amajari, Tabaio (antigo Taiano), Murupu, Surumu, Serras, Baixo Cotingo, Raposa, Wai-Wai e mais duas específicas, Yanomami e Ingaricó, além dos representantes das entidades sociais, indigenistas e dos órgãos públicos. 

Após quatro dias de debate, encaminhamentos e decisões, as lideranças encerraram o último dia com as propostas e os planejamentos regionais, apreciados e aprovados pela Assembleia no final do evento. Para a aprovação, 262 lideranças indígenas com direito a voz e voto participaram do ato democrático da Assembleia. 

Com o tema “Enquanto houver insistência, haverá resistência – Não à PEC 215”, os povos indígenas reafirmaram ser contrários a essa proposta genocida. Nesse posicionamento, as lideranças indígenas cobram que o Estado brasileiro adote medidas para retomar as demarcações das terras indígenas, assim como proteger os recursos naturais e os bens nela existentes.

Foram aprovadas 50 propostas no contexto da gestão territorial e ambiental, sustentabilidade, direito e consulta, saúde e educação indígena, além de considerações feitas à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e ao Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI). 

Entre as propostas aprovadas sobre gestão territorial e ambiental, destacam-se: fiscalização contínua pela Funai, IBAMA, ICMBIO e Polícia Federal nas terras indígenas Boqueirão, Raposa Serra do Sol, Wai-Wai e Yanomami; contra a permanência dos não indígenas na sede do Município de Pacaraima e que o STF decida pela retirada e paralização dos avanços das invasões nessa região; criação de pontos de fiscalização para coibir as invasões; e o reconhecimento e homologação feito pela ANAC das pistas de pouso localizados em comunidades indígenas de difícil acesso.

Preocupados com a situação de contaminação de mercúrio no rio Uraricoera, conforme os resultados da pesquisa feita pela entidade Fio Cruz, detectando indícios de contaminação na saúde do povo Yanomami, as lideranças reivindicaram a retirada imediata dos garimpeiros da TI Yanomami. 

A seca em Roraima tem sido uma realidade difícil e causado impactos no cotidiano das comunidades indígenas na agricultura, principalmente, na pecuária, afetando de forma significativa as atividades sustentáveis dos povos indígenas. Porém, mesmo com esse período difícil, as lideranças indígenas lançaram o desafio de realizar mais ações que visam à gestão territorial e ambiental de suas terras indígenas. 

Foram solicitados à implementação dos sete Planos de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAS) e a construção de mais PGTAs nas regiões do Baixo Cotingo, TI Raposa Serra do Sol, TI Wai-Wai e nas TIs da região do Amajari. 

Um problema recente enfrentado pelas comunidades indígenas é quanto à forma de fiscalização feita pela Agencia de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (ADERR) dos produtos que circulam internamente nas regiões. Segundo as lideranças indígenas, tem sido feito de forma injusta e sem respeito, onde os produtos agrícolas são apreendidos sem a devida abordagem e fiscalização. 

Para essa problemática, as lideranças indígenas solicitaram que a ADERR apresente uma forma de perícia compreensível e que discuta com as comunidades e organizações indígenas uma política de relação entre as comunidades e a equipe de fiscalização destinada para o serviço executados nas barreiras localizadas nas terras indígenas. Outra reivindicação é a realização de um concurso específico para cargos de técnicos agropecuários indígenas.

O coordenador geral do Conselho Indígena de Roraima, Mario Nicacio, atual coordenador do Comitê Gestor da Política Nacional Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) reforçou na plenária o compromisso de buscar alternativas e dialogar com as instituições públicas para a implementação de políticas públicas, principalmente, no contexto da gestão territorial e ambiental, saúde, educação e sustentabilidade, de forma que o Estado respeite as especificidades de cada povo e região. 

Em contrapartida, nesta Assembleia foram apresentadas as novas iniciativas de vigilância e fiscalização das terras indígenas com a atuação dos próprios indígenas. Fazem parte dessa iniciativa, os conciliadores e mediadores indígenas do Brasil da região das Serras, Terra Indígena Raposa Serra do Sol e os agentes de segurança das comunidades indígenas Pium, Manoá, Novo Paraíso, Canauanim, Willimon, da Terra Indígena Manoá-Pium e Vista Alegre, Terra Indígena São Marcos. 

A partir das situações recorrentes em relação à ausência do direito de consulta das comunidades indígenas em diversas situações, por exemplo, no caso da indicação do atual coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima (DSEI-Leste/RR), fato que gerou a mobilização da saúde indígena realizada desde o início do mês de janeiro, a Assembleia aprovou a discussão sobre procedimentos de consulta. 

Em relação à saúde indígena, as lideranças reforçaram as reivindicações que anualmente vem sendo apresentado na Assembleia Geral na parte de atendimento, formação dos agentes indígenas de saúde, materiais, equipamentos e outras necessidades básicas para um atendimento de qualidade as comunidades indígenas. Por isso, a Assembleia reivindicou que o Estado brasileiro deve planejar e garantir serviços adequados de assistência à saúde, com garantia de recursos necessários baseados na realidade das comunidades indígenas, inclusive, na prioridade para a formação e contratação de pessoal de saúde da comunidade local, considerando as condições econômicas, geográficas, sociais e culturais indígenas.

Quanto à indicação ao cargo de coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Leste de Roraima (DSEI-Leste/RR) a Assembleia indicou quatro indígenas para serem apreciados pela Casa Civil da República: Ivanir Gomes (Pankararu), Adison Mateus de Oliveira (Wapichana/Serra da Lua), Dionito José de Souza (Macuxi/Raposa Serra do Sol) e Zélio Peres (Macuxi/São Marcos). 

Em Roraima, o contexto também passa pelo descaso da Educação Escolar Indígena, quando no ano passado, 2015, foi necessária a realização de uma mobilização em defesa dos direitos à educação especifica e diferenciada. Na plenária, as lideranças indígenas reforçaram as reivindicações ao cumprimento do acordo firmado em setembro com o Governo do Estado de Roraima, tais como à realização do concurso público especifico e diferenciado, reconhecimento e estruturação dos centros regionais, criação do Departamento de Educação Indígena e demais propostas que norteiam a política educacional dos povos indígenas. 

Para as futuras mudanças na chefia da Divisão de Educação Indígena da Secretaria de Educação do Estado, as lideranças indígenas aprovaram a indicação da professora Edite Andrade (Macuxi) para assumir o cargo de Chefe da Divisão. 

Outra decisão é quanto à indicação para o cargo de coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) que há quase dois anos funciona com a coordenação substituta. A Assembleia reafirmou a indicação do indígena Aldenir Cadete, do povo Wapichana.

Para fortalecer a atuação do único órgão Indigenista e único que trabalha com a proteção e promoção dos direitos indígenas, principalmente, a demarcação das terras indígenas, a Assembleia avaliou que a Funai não deve ceder as pressões e nem negociar direitos indígenas, diante de todas as ameaças recentes, entre elas, o processo de CPI que tramita na Câmara dos Deputados.

Em relação às deliberações sobre o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), foram indicados para fazer parte da nova composição os indígenas, Irani Barbosa dos Santos (Titular), Ademar de Melo Cavalcante Filho (Suplente) e 2º Suplente Zedoeli Alexandre. 

Para reforçar as 866 propostas da 1º Conferência Nacional de Política Indígena, realizada no mês de dezembro, em Brasília, tendo como prioritárias 216, a Assembleia reivindicou a implementação imediata das propostas. Por fim, também as lideranças indígenas reivindicaram que retome as discussões sobre o Estatuto dos Povos Indígenas buscando adaptar à realidade indígena na legislação indigenista com vistas à proteger e respeitar o direito de consulta. 

O documento com as 50 propostas na íntegra brevemente será publicado e encaminhado à Presidência da República e demais instancias do poder Legislativo e Judiciário.

45ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima celebra 45 anos de luta, união, fortalecimento, resistência e conquista indígena

13/03/2016

Os povos indígenas de Roraima, Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaricó, Patamona, Ye`kuana, Yanomami, Sapará e Wai-Wai se reuniram no período de 11 a 14 na 45ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima, realizada no Centro Regional Lago Caracaranã, região da Raposa, Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR).

Diante do cenário atual das questões indígenas em Roraima e no Brasil, de ameaças e retrocessos aos direitos indígenas, as lideranças indígenas debatem sobre o tema “Enquanto houver insistência, haverá resistência – Não à PEC 215”. Para fortalecer e fazer uma reflexão do papel das lideranças na comunidade e no movimento indígena, a Assembleia recebeu no primeiro dia, em um momento histórico das Assembleias Gerais, os primeiros coordenadores do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Terêncio Luiz da Silva (Macuxi) e Jaci José de Souza (Macuxi), ambos da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Os líderes compartilharam sofrimentos, experiências e conquistas ao longo da trajetória de criação do movimento indígena local, que marcou mais uma vez os 45 anos de luta, união, fortalecimento, resistência e conquista indígena no Estado. Também estavam presentes os líderes que assumiram a coordenação da organização nos anos seguintes e outras lideranças que acompanharam a criação da organização indígena, Clóvis Ambrósio (Wapichana), Valdir Tobias (Macuxi), Nelino Galé (Macuxi), Jeronimo Pereira da Silva (Macuxi), Olavo Manduca (Wapichana), Terencio Salamão (Wapichana), Euclides Pereira (Macuxi), Orlando Pereira (Macuxi), Dionito José de Souza (Macuxi), Abraim Guariba (Macuxi) e as mulheres indígenas, Marizete de Souza (Macuxi) e Francinete Fernandes Garcia (Macuxi).

O primeiro coordenador do antigo Conselho Indígena do Território de Roraima (CINTER), atual Conselho Indígena de Roraima (CIR), Terêncio Luiz da Silva (Macuxi), 69 anos, oriundo da comunidade indígena Bananal, região das Serras, hoje, morador da comunidade indígena Ubarú, região do Surumu, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, falante da língua materna Macuxi, iniciou sua fala na língua, simbolizando a valorização dos costumes tradicionais.

O líder resgatou na memória a lembrança de um tempo sofrido nas comunidades indígenas, antes da década de 1970, quando os indígenas dependiam das fazendas, sofriam violência, as comunidades indígenas não tinham uma organização social, além de outras memórias que marcaram essa época de sofrimento, mas também do início de uma caminhada de desafios e conquistas, tendo como principal bandeira de luta a demarcação e homologação das terras indígenas.

Entre muitos exemplos relatados, o líder tradicional destacou a união e o exercício da democracia, no sentido de que haja sempre um entendimento e o diálogo nas comunidades, para que permaneçam unidas: “É preciso que as comunidades caminhem na mesma direção, é preciso diálogo entre as lideranças, para que haja organização e um bem viver unido”.

Outra mensagem deixada pelo líder é de que os povos indígenas precisam ocupar a terra para que as comunidades não sofram mais, como no tempo passado: “Temos que ocupar as nossas terras, para não ver o sofrimento das comunidades”. Para finalizar, provocou um debate com a nova geração.

O protagonismo das mulheres indígenas também é um marco histórico nesse movimento e para socializar o desafio de atuar para o bem viver das comunidades indígenas através da atuação da Secretaria do Movimento de Mulheres Indígenas, instância criada para a articulação das políticas voltadas para as mulheres indígenas no CIR, esteve presente Marizete de Souza (Macuxi), que atuou na Secretaria nos anos de 2009 e 2010 e hoje ocupada pela atual Secretária Telma Marques (Taurepang).

A reafirmação desse protagonismo vem pela trajetória da primeira coordenadora regional, Francinete Fernandes Garcia (Macuxi), após três anos como Tuxaua foi eleita em 2014 para assumir a coordenação regional do Surumu, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, composta por 23 comunidades indígenas. A coordenadora falou da importância do papel da mulher no movimento indígena destacando os pontos sobre a representação da liderança na comunidade e o compromisso com o povo indígena: “O papel da liderança é representar o seu povo com compromisso”, disse a coordenadora.

Diante das problemáticas enfrentadas nas comunidades indígenas, principalmente o consumo e venda bebida alcoólica, uma das bandeiras de luta das mulheres indígenas, Francinete também disse que considera as lideranças tradicionais como advogados e acrescentou que a vida de Tuxaua não é para qualquer um, para poder enfrentar os problemas.

A criação das organizações indígenas para ser porta-voz das comunidades, junto aos órgãos públicos e sociedade em geral tem sido o diferencial no processo de organização social, política e cultural do movimento indígena em Roraima. Diante desse contexto, no segundo dia, as lideranças indígenas refletiram sobre o papel das organizações indígenas na comunidade e no movimento indígena, com a participação das organizações indígenas, Sociedade para o Desenvolvimento e Qualidade Ambiental do povo Taurepang, Wapichana e Macuxi (TWM), Aliança de Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Roraima (ALIDCIR), Conselho do Povo Indígena Ingaricó (COPING), Associação do Povo Indígena Wai-Wai (APIW), Associação dos Povos Indígenas de Roraima (APIRR), Associação Kuakiri de Boa Vista, Conselho Indígena de Roraima (CIR) e Associação dos Povos Indígenas da Terra Indígena São Marcos (APITSM).

O coordenador geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR) Mario Nicacio (Wapichana), informou sobre a atuação da organização a nível local, regional, nacional e internacional e reafirmou o papel da organização indígena: “O CIR foi criado com o objetivo de defender os direitos e interesses dos povos indígenas”.

Na pauta do dia 13, as lideranças discutiram nos grupos de trabalho três eixos estratégicos: gestão das terras indígenas, sustentabilidade das comunidades e do CIR e enfrentamento de problemas internos e externos das comunidades indígenas. A Assembleia encerrou na sexta-feira, 14, com a pauta sobre direitos indígenas e os riscos de violação com a presença de representantes dos órgãos públicos e após, o trabalho de grupo de cada região, avaliação da coordenação geral do CIR, planejamentos, apreciação e aprovação das propostas.

O evento reuniu aproximadamente dois mil indígenas de diversas regiões do Estado, além da presença de representantes de entidades sociais como a Diocese de Roraima, Pastoral Indigenista, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Instituto Socioambiental (ISA), Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e dos órgãos públicos, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e demais instituições convidadas para a última pauta.

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