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Publicação sobre Mudanças Climáticas “Amazad Pana´adinhan” servirá como material didático nas escolas indígenas

Coordenador Regional Simeão Messias recebe a publicação da gestora ambiental do CIR, Sineia do Vale Coordenador Regional Simeão Messias recebe a publicação da gestora ambiental do CIR, Sineia do Vale

 

 

 

“Amazad Pana´adinhan - Percepções das comunidades indígenas sobre as Mudanças Climáticas”, primeira publicação do Conselho Indígena de Roraima sobre mudanças climáticas reúne os resultados de esforços e construção coletiva, participativa, entre as comunidades indígenas da região da Serra da Lua e as entidades parceiras que atuaram junto à organização indígena na discussão sobre mudanças climáticas e povos indígenas, origens dos três estudos de casos realizados em três terras indígenas, Terra Indígena Malacacheta, Jacamim e Manoá-Pium. Os resultados são produtos históricos que ficam registrados nas 148 páginas da publicação. 

Da pronúncia Aruaque, expressada tradicionalmente pelo povo indígena Wapichana, a palavra Amazad, na expressão e sentido tradicional, significa o mundo, o tempo e o espaço. Uma cosmologia da vida humana completada pela palavra Pana´adinhan, que traz como significado a mudança e a transformação. 

A publicação tem uma trajetória de caminhada que duraram três anos, 2011 a 2013.  Resultado da ação dos Agentes Territoriais e Ambientais Indígenas (ATAI) que assumiram o compromisso de colocar em prática os conhecimentos adquiridos na formação, prestada pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR) através do Departamento Ambiental e Territorial desde 2008 em parceira com instituições públicas, quando, a partir da necessidade e reivindicação das comunidades indígenas, buscaram prestar formação aos ATAI que, hoje, somam mais de 200 agentes indígenas em todo o Estado.

Inicialmente, uma discussão sobre “mudanças climáticas e povos indígenas”, um diálogo com as comunidades indígenas para colocar em debate não só o contexto climático, mas social, cultural, político e ambiental das comunidades indígenas envolvidas no processo de estudo. Um debate coletivo realizado com respeito aos costumes tradicionais e de acordo com a realidade local de cada comunidade.   

O estudo de caso deu foco ao contexto de mudanças climáticas das terras indígenas, buscando identificar as mudanças do tempo, tendo como fatores preocupantes o desmatamento e queimadas próximas às terras indígenas. 

Para o início dos estudos de caso, primeiramente foi realizada a pesquisa intercultural. Nessa pesquisa, os ATAI, no exercício da função de pesquisadores, aplicaram a metodologia da coleta de dados, entrevistas, mapeamento participativo e organização do calendário da comunidade indígena. 

Após o trabalho da coleta de dados, uma forma de conhecer as comunidades indígenas ‘in loco’, os ATAI direcionaram os trabalhos para o contexto socioambiental das terras indígenas. Nesse contexto fizeram o levantamento dando ênfase a quatro pontos: práticas tradicionais de manejo ambiental; percepções locais sobre mudanças climáticas nos últimos vinte anos; impactos das mudanças na qualidade de vida da população oriundas das terras indígenas; e identificação das soluções de enfrentamento aos problemas.  

Foram identificadas as interferências nos costumes tradicionais das comunidades indígenas causadas pela mudança do clima na pesca, caça, agricultura e extrativismo. 

Na execução das atividades foi realizado o etnomapeamento, que ajudou na visualização das dinâmicas territoriais, na junção das informações, assim como relacionar as potencialidades e os problemas das comunidades indígenas. Esse processo teve o acompanhamento do Técnico Indígena de Sistema Georreferenciamento (SIG), Genisvan André, do Conselho Indígena de Roraima e o geógrafo, Luca Lima, colaborador do CIR nessas atividades. Dois formatos de mapas foram construídos: mapa mental e cartográfico.  

O mapa mental registra a forma como os povos vivem em suas comunidades indígenas, e o cartográfico apresenta a questão de forma mais técnica, trabalhando as regras e convenções. 

Os trabalhos realizados de forma dinâmica e participativa uniram duas gerações, os jovens e as lideranças indígenas mais antigas das comunidades. Complementando o conjunto de atores fundamentais para a construção da iniciativa, as mulheres indígenas e o seu protagonismo também tiveram um olhar diferenciado nesse trabalho coletivo, onde construíram a partir do seu cotidiano o calendário “Rotina da mulher indígena - Zynau u Kaydinkiz”. 

A Cartilha, além do protagonismo dos agentes ambientais e territoriais indígenas, das lideranças indígenas e colaboradores, também é fruto do compromisso e empenho de toda equipe do departamento ambiental e territorial do CIR e das entidades que sempre apoiaram as iniciativas politicas, sociais, culturais e desta vez, a iniciativa ambiental do CIR: Fundação Tebtebba, Embaixada da Noruega e Cafod. 

Como fruto da consciência política e ambiental das duas entidades, a Fundação Moore e Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) apoiaram a produção gráfica e a impressão dos exemplares, permitindo que, finalmente, tudo o que foi desenhado, escrito, falado e pensado, ficasse registrado para as futuras gerações.

Lançamento da publicação entre os parceiros e as comunidades indígenas da região Serra da Lua 

Foram produzidos 1200 exemplares e com a chegada, no último dia 13 de agosto, na sede do CIR, em Boa Vista, a publicação teve o seu primeiro lançamento no dia 14 durante a programação do Seminário Integrador de “Diálogo Intercultural”, evento de encerramento do quinto e último módulo do Curso Básico de Formação da Politica Nacional de Gestão Territorial Indígena (Formar PNGATI), realizado no período de 11 a 15 de agosto, na comunidade indígena Barro, região do Surumu, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. 

Estiveram presentes os cursistas do Formar PGATI, Agentes Indígenas Ambientais e Territoriais (ATAI), tuxauas, coordenadores regionais, os representantes das instituições públicas parceiras e convidadas. Entre as instituições, o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), representado pelo diretor acadêmico Henyo Barreto, homenageado no lançamento pela histórica contribuição à publicação, com a autoria do texto de orelha da edição. 

“Amazad Pana’adinhan se junta, assim, ao movimento crescente de fazer pontes entre regimes de conhecimentos indígenas e experiências locais, e a formulação de políticas e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas nas escalas nacional e global – desafiando estas a abdicarem de suas posturas tecnocráticas, cientificistas e coloniais.” (Henyo Barreto) 

A coordenadora do Departamento Ambiental e Territorial do CIR, Sinéia Bezerra do Vale, do povo indígena Wapichana, celebrou a conquista da publicação sobre a perspectiva de poder compartilhar os conhecimentos junto às crianças, jovens e idosos nas comunidades. 

“Um trabalho realizado com bastante esforço, hoje temos o fruto desse esforço, sendo a primeira publicação sobre mudanças climáticas e que servirá para o estudo nas escolas e nas comunidades indígenas”, frisou Sineia.   

Alessandro Roberto de Oliveira, antropólogo, esteve atuando neste projeto como consultor.  “O resultado é um detalhado registro atual destes efeitos nas plantações, na vida dos animais, nas dinâmicas dos rios e dos peixes, na disponibilidade dos recursos naturais de um modo geral, tendo como base de referência os conhecimentos tradicionais”. (Alessandro de Oliveira) 

Posterior ao lançamento no Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFRSS), o CIR, no dia 25 de agosto, foi feita uma prévia publicação entre as terras indígenas Malacacheta, Jacamim e Manoá-Pium. Um lançamento itinerante está previsto para ocorrer nesse mês de outubro nas comunidades indígenas. 

Simeão Messias, do povo indígena Macuxi, coordenador regional da Serra da Lua, com mais de vinte anos de liderança indígena na região, recebeu um exemplar e sentiu-se satisfeito com os resultados do trabalho feitos com a participação de toda comunidade indígena. O coordenador destacou o trabalho, sendo um trabalho de resgate dos conhecimentos tradicionais.

“Fico muito feliz com o resultado do trabalho, pois é um trabalho de resgate dos conhecimentos tradicionais, das nossas origens onde nem eu mesmo sabia, e que com certeza servirá para os jovens, crianças que precisam reaprender e saber como está a nossa realidade hoje, na comunidade indígena e região”. (Simeão Messias)

 A publicação sobre mudanças climáticas foi a primeira que o Conselho Indígena de Roraima (CIR) lançou como desafio a implementação do plano de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas na região com intuito de diminuir as consequencias da mudança do clima. 

Alcançando resultados muito positivos, o material com três meses da publicação já conquista espaços importantes em nível local, nacional e internacional, sendo uma publicação de referência que evidencia a realidade dos povos indígenas, neste caso, o aspecto das mudanças climáticas na região Serra da Lua, terra dos povos Macuxi e Wapichana. 

 

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