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II FASE DA OFICINA DE MEDICINA TRADICIONAL É REALIZADO NA COMUNIDADE MALACACHETA

Momento de espiritualidade

Com intuito de valorizar a cultura e as práticas dos remédios tradicionais, ocorreu nos dia 01 e 02 na comunidade Malacacheta, região Serra da Lua a segunda fase da oficina de medicina Tradicional.

O objetivo da 2ª etapa da oficina segundo a Secretária Geral do Movimento das Mulheres Indígenas do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Maria Betânia Macuxi, foi de aprender na prática como fazer os remédios tradicionais e entender os seus benefícios.

coordenadora do Movimento das Mulheres: Maria Betânia

O curso foi ministrado pela líder indígena, mais conhecida como vovó Luciola Mota, 82 anos, da etnia Wapichana, que trabalha há mais de 20 anos na área da medicina tradicional. Ela ressaltou que esse encontro é um sonho realizado, pois há muito tempo imaginava reunir mulheres, para ensinar os seus conhecimentos sobre o poder das plantas na confecção de medicamentos para a cura de diversas doenças.

vovó Luciola ensinando os processos para fazer os remédios

“Esse foi um sonho que eu tive e hoje está se realizando, desde que eu me lembro, meus pais me mostravam como fazia os remédios, nos anos 90 eu comecei a trabalhar na área, fui aprendendo aos poucos e assim estou muito feliz, essa é a cultura que temos, nossa maneira de nos curar das doenças, antes nós não tinha medicamentos de farmácia, só usávamos as nossas plantas, e hoje quero repassar isso para os jovens e demais mulheres para que elas continuem, aqui ensinei a fazer os xaropes, garrafada, pomadas e outros, cada um terá a missão de levar isso para frente” Ressaltou Luciola.

Além das mulheres da própria comunidade Malacacheta, também estavam presentes participantes das comunidades, Jacamizinho- região serra da Lua, Taxí-região Surumu e Maturuca- região Serras, o intuito foi de fazer um intercâmbio de saberes entre elas.

Momentos de aprendizado entre as mulheres

A Agente de saúde, Laudisa André, 56 anos, etnia Macuxi, comunidade Maturuca, falou da importância dessa troca de conhecimentos, ela conta que já conhecia a vovó Luciola faz alguns anos, Laudisa também já trabalha há muito tempo com a prática da medicina tradicional, inclusive usa os medicamentos no posto de saúde existente na comunidade, e expecifica que veio ao encontro principalmente para aprender a “pomada milagrosa”.

“Para mim é muito bom está aqui, estou feliz por ter aprendido a fazer a pomada milagrosa, vou levar muitos conhecimentos dessa oficina, é importante nós está fazendo essa troca de saberes, e ensinar aos demais, vou levando outras plantas para plantar na minha horta, hoje uso os remédios no posto de saúde, pois sempre falta medicamento, acredito que todas as comunidades têm que ter uma horta de plantas medicinais, têm que ter mais gente para aprender, essa é a nossa cultura, então não devemos perder. Disse Laudisa.

A oficina contou com a participação de mais de 36 jovens estudantes, xaiene wapichana, 15 anos, foi uma das jovens atuantes no encontro, ajudando na construção das cartolinas e escrevendo nas embalagens os ingredientes dos remédios foi uma das formas que ela encontrou de participar da oficina.

Xaiene Macuxi

A atividade foi uma iniciativa do departamento do movimento de mulheres do Conselho Indígena de Roraima, em parceria com as comunidades. Ao todo participaram mais de 70 pessoas entre jovens, crianças, lideranças tradicionais e mulheres.
Ascom: CIR

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