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CIR RECEBE PRÊMIO “EQUATOR PRIZE 2019”

Conselho Indígena de Roraima (CIR) recebeu hoje, 24, na cidade de Nova York (EUA) o prêmio “Equator prize 2019” das Nações Unidas. O anúncio foi feito no dia 06 de junho de 2019, ao todo 20 iniciativas foram premiadas, entres estes o CIR. A chamada global recebeu 847 indicações de 127 países.

A proposta ganhou reconhecimento por causa do desenvolvimento ecológico e social na conservação das sementes tradicionais, desenvolvido no Centro Indígena de Formação (CIFCRSS) por meio do projeto feira de sementes.

PROJETO FEIRA DE SEMENTES

O projeto “feira de sementes” iniciou em 2012 no CIFCRSS, com objetivo de valorizar a conservação e multiplicação das sementes tradicionais dos povos indígenas de Roraima. As comunidades possuem um banco natural de sementes de diversas variedades de culturas. Professora Rachel Camargo uma das responsáveis pela inscrição do projeto para a chamada global, pontuou a necessidade de conservar as sementes tradicionais, pois na Amazônia inúmeras delas já foram perdidas.

Márcia Fernandes

“Acredito que o prêmio nem é tanto pelo projeto em si, e sim pelo maravilhoso patrimônio que são as sementes, e pelos povos de Roraima ainda possuírem essas sementes e estarem preocupados com sua conservação, trazendo o manuseio de forma sustentável, isso é muito importante” destacou Rachel.

MOMENTO HISTÓRICO PARA O CENTRO DE FORMAÇÃO E CIR

O CIFCRSS foi criado em 1996, voltado à formação de lideranças indígenas e capacitação nas áreas de agropecuária e manejo ambiental. Foram formados mais de 100 jovens que hoje estão nas comunidades contribuindo na organização social e na sustentabilidade.

O vice coordenador do CIR, Edinho Batista, foi aluno do Centro de Formação, e foi a Nova York para receber o prêmio. Ele ressaltou que é uma emoção, tendo em vista o contexto histórico da organização e também da escola que desde sempre luta em defesa dos territórios, da cultura e das tradições.

“O prêmio é em nome de todos os povos indígenas, isso fortalece o trabalho do nosso povo. Veio reconhecer e valorizar nossa luta, pois os povos indígenas cuidam das florestas, dos rios, da água, das montanhas e da biodiversidade, nós dedicamos nossa vida em pró do planeta, o reconhecimento traz a valorização de nossas iniciativas e das formas tradicionais de preservar nossas sementes, que garantem nossa autonomia e nossa qualidade da soberania da população indígena, isso fortalece nossa produção, para mim que estive na escola e hoje tenho a consciência que a vida é mais importante, a natureza tem que ser preservada. A todos que fizeram parte, lideranças indígenas, o prêmio é de todos”.

A Secretária do Centro de formação, Maria Alcinda, Etnia Sapará, que também foi formada no centro, destacou que todos na escola estão muito felizes em poder ter contribuído com a conquista desse prêmio.

“Esse prêmio significa o esforço a união de cada um de nós, aqueles que contribuíram com os estudantes do Centro, juntamente com as lideranças tradicionais e o Conselho indígena de Roraima, nós estamos muito feliz” pontuou Alcinda.

A Coordenadora Geral do Movimento das mulheres indígenas de Roraima, Maria Betânia Macuxi, também foi à Nova York receber o prêmio, ela ressaltou a felicidade em poder está fazendo parte desta história.

“O momento é único, na resistência sempre, defendendo o que é mais sagrado para todos nós, que é o bem viver para as futuras gerações, estamos na caminhada, por nós, para nós, sempre persistindo no que nos trás esperança, pois a natureza é o que temos, ela nos traz vida” afirmou.

O centro de Formação está localizado na comunidade Barro, região de Surumu, terra indígena raposa serra do sol.

Ascom/CIR
Fotos: Arquivo de divulgação

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